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Em dia de instabilidade, dólar tem correção e recua contra o real

Lucas Hirata

Movimento acompanha o clima mais favorável a ativos de risco, com alívio na pressão sobre moedas emergentes O dólar comercial opera em queda contra o real neste início de tarde, mas não traz convicção de que a direção se manterá até o fim do dia. O mercado de câmbio já teve uma manhã de instabilidade, com o dólar oscilando entre pequenas quedas e ensaiando, por vezes, algum avanço.

O movimento de vaivém ocorre a despeito do ambiente mais favorável a ativos de risco, que ajudam até em alguma recuperação de moedas emergentes. O que ainda joga contra o real, dizem analistas, é o cenário de juro baixo, tensão política e busca por refúgio do dólar para proteger a exposição em outros ativos.

Perto das 16 horas, o dólar comercial tinha queda de 1,36%, aos R$ 5,2970, depois de oscilar entre R$ 5,3812 e R$ 5,2890. Diferentemente do que se observou em grande parte da sessão de hoje e nos últimos dias, o real brasileiro tem agora o melhor desempenho entre as principais divisas no mundo. Por outro lado, o dólar ainda acumula alta na semana de 5% contra o real, movimento mais intenso que dos pares emergentes.

“O problema é que, desde ontem, temos leitura bem nebulosa sobre os rumos da moeda. O Copom deixou as portas abertas para reduzir a Selic, o que pressiona o câmbio. Também tem a prisão do Queiroz, embora seja difícil quantificar o risco que mercado precifica. Além disso, vemos a exposição em bolsa tem sido protegida na venda do real e compra de dólar”, diz o operador Cleber Alessie Machado Neto, da Commcor.

Tudo isso, de acordo com o profissional, estimula operações especulativas de compra de dólar e queda do dólar, trazendo instabilidade adicional para o mercado. O operador atribui em grande parte o movimento de cautela ao ajuste sobre expectativas para juros e do "hedge" (proteção) cambial. “Para mim, a questão do Queiroz ainda responde por uma parcela reduzida do movimento. Embora seja algo que chama atenção, parece que ainda não tem um risco efetivo tão próximo do presidente”, explica.

Na cena nacional, a prisão de Fabrício Queiroz ainda traz uma certa apreensão entre analistas. Na avaliação dos profissionais da Guide, o presidente Jair Bolsonaro deve reagir intensificando a sua articulação com o Centrão para reforçar as suas defesas contra ameaças ao seu mandato. “Manter o apoio destas siglas fisiológicas é agora mais importante do que nunca. Até o momento, um eventual afastamento não representa uma ameaça iminente para Bolsonaro – principalmente em meio uma pandemia – mas caso as narrativas supracitadas continuem a deteriorar, a aprovação do presidente atingirá um perigoso patamar de fragilidade, tornando as perspectivas de um eventual processo de impeachment ou cassação mais palpáveis”, acrescentam.

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