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Dólar recua com cena externa

Marcelo Osakabe e Victor Rezende

Cautela e os impactos do novo coronavírus na atividade econômica seguem no radar dos agentes A série de estímulos e medidas para resguardar o bom funcionamento dos mercados tomadas por bancos centrais e governos em todo o mundo garante, até o momento, um segundo pregão de recuperação nesta sexta-feira. Com isso, a moeda americana recua em relação a praticamente todas as demais divisas mais negociadas no mundo, desfazendo parte do movimento visto nos últimos dias. No Brasil, o dólar era negociado a R$ 5,0133 por volta das 13h50, queda de 1,66%.

"O apetite por risco registrou uma reviravolta bem vinda, mas o sentimento ainda permanece bastante frágil", diz a TD Securities em nota. "No mercado de câmbio, o dólar está mais fraco tanto contra moedas desenvolvidas quanto em relação a divisas emergentes, uma vez que as pressões globais de liquidez foram reduzidas pela escala e velocidade sem precedentes de medidas nesse campo."

Segundo analistas do banco canadense, as questões ligadas ao funding em dólares é hoje a principal preocupação dos mercados cambiais em todo o mundo. "O impacto das incertezas ligadas ao coronavírus atravessa toda a estrutura das operações entre empresas e consumidores, refletindo a perda de atividade econômica. Em outras palavras, é um problema de liquidez que pode se transformar em um problema de solvência caso as necessidades de caixa não seja em atendidas. O dólar é o epicentro dessa situação e sua escalada recente reflete um desequilíbrio entre a demanda e a oferta da moeda."

O Banco Central (BC) realiza nesta tarde a primeira operação de compromissadas envolvendo global bonds, títulos do Tesouro Nacional denominados em dólar. A medida, também usada em 2008, busca prover liquidez em moeda estrangeiro para os bancos locais em um momento onde muitas empresas e instituições estão buscando proteção na moeda americana contra a rápida deterioração dos mercados mundiais. Segundo a autoridade monetária, o estoque total de global bonds chega hoje aos US$ 31 bilhões.

Separadamente, novas medidas para acalmar os mercados continuam sendo anunciadas. Após retomar linhas de swap com bancos centrais de diversos países, entre eles o Brasil, o Federal Reserve (Fed, banco central americano) declarou hoje que vai comprar títulos ligados a municípios nos Estados Unidos, em outra medida para manter a liquidez dos mercados e evitar saltos no custo de gerenciar a moeda. Ele também anunciou que irá aumentar a frequência das transações com BCs estrangeiros, realizando operações diárias e não apenas as semanais.

Analisando dados de 49 fundos macro locais, o BNP Paribas nota que o posicionamento destes agentes em relação ao dólar no Brasil se reduziu bastante nas últimas semanas e está, atualmente, neutra. O banco francês nota, por outro lado, que isto ocorreu porque alguns fundos voltaram a acumular posições vendidas, que ganham quando o dólar se desvaloriza, e isso equilibra as posições compradas de outras instituições.

Essa falta de convicção em relação à direção do câmbio é compartilhada pelo próprio BNP. "Em termos de estratégia, temos uma posição nêutra sobre o real. No atual cenário, a forte incerteza por causa da pandemia de covid-19 e a combinação de juros baixos em termos nominais e reais, bem como o crescente déficit em transações correntes, eleva a vulnerabilidade do câmbio no curto prazo. Desta forma, optamos por nos manter fora do jogo por enquanto.

No mercado de juros futuros, as taxas apresentavam baixa. Por volta de 13h50, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 passava de 3,94% no ajuste anterior para 3,92%; a do DI para janeiro de 2022 caía de 5,77% para 5,4%; a do contrato para janeiro de 2023 recuava de 6,96% para 6,72%; a do DI para janeiro de 2025 cedia de 7,98% para 7,88%.