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Dólar recua com cena externa e IPCA-15 no foco

Marcelo Osakabe
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Investidores acompanham a cena geopolítica e o comportamento da prévia da inflação no Brasil O mercado de câmbio vive um novo pregão de volatilidade nesta sexta-feira. Após abrir em alta contra o real, refletindo um ambiente mais negativo no exterior por causa da tensão entre Estados Unidos e China e o IPCA-15 de julho mais fraco que o esperado, o dólar voltou a oscilar e chegou ao fim da primeira parte do pregão em queda moderada. Por volta de 15 horas, a moeda americana era negociada em queda de 0,85%, aos R$ 5,1698. Na mínima, marcou R$ 5,1618. Principal indicador do dia, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) ficou em 0,30% em julho, bem abaixo da mediana de estimativas da 33 consultorias e instituições financeiras ouvidas pelo Valor Data, de 0,51%. A surpresa levou a curva de juros a fechar, em especial nos trechos intermediários, indicando que os investidores agora esperam um juro baixo por mais tempo no Brasil. A inflação mais fraca que o esperado coloca pressão sobre o real, porque eleva as chances de um novo cortes da Selic, o que comprime ainda mais o diferencial de juros com o exterior, diz Victor Candido, economista da Journey Capital. O profissional afirma que as posições vendidas em dólar da casa, que já haviam sido reduzidas ontem, acabaram zeradas hoje após o indicador. “Esperamos agora que o dólar possa retornar a rondar os patamares de R$ 5,30 ou até R$ 5,40”, diz. Sobre o comportamento errático do dia, Candido acredita que o câmbio reflete certa incerteza do investidor após os ganhos dos últimos pregões - amparado principalmente pelo enfraquecimento global do dólar e a entrega da proposta de reforma tributária do governo, o real se valorizou quase 5% somente nos três primeiros dias da semana, ainda que tenha devolvido parte do movimento ontem. “Está todo mundo coçando a cabeça para ver o que pode movimentar o mercado agora”, diz. Em evento organizado pela XP esta manhã, o diretor de política monetária do Banco Central, Bruno Serra, voltou a comentar sobre a volatilidade recente do câmbio. O dirigente admitiu que ela está “um pouco acima” do que gostaria, mas ressaltou que os instrumentos atuais de intervenção não são feitos para atuar sobre esse problema e da forma como ele vem ocorrendo. Questionado sobre a possibilidade de intervenção via opções, uma das alternativas ventiladas por participantes de mercado, Serra disse que “pouquíssimos” BCs no mundo tiveram alguma experiência do tipo. “Não sei se é algo desejável”, ponderou. No exterior, o ambiente entre Estados Unidos e China continua turbulento após o governo de Pequim ordenar o fechamento do consulado dos EUA em Chengdu, uma cidade na parte sudoeste do país, em retaliação à decisão de Washington de fechar o consulado chinês em Houston. As ações tomadas pelos governos das maiores potências econômicas do mundo marcam mais um passo na deterioração das relações entre as duas nações, que também mostrou sinais de transbordamento novamente nas questões comerciais. O presidente americano, Donald Trump, disse a repórteres na quinta-feira que o acordo comercial da “Fase 1” com a China assinado em janeiro “significa menos para mim agora do que quando eu o fiz”, o que impacta a confiança dos investidores. Pixabay