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Dólar global se fortalece e se aproxima de R$ 5,56 no Brasil

Victor Rezende
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IPCA-15 e questão fiscal permanecem no radar A junção de temores sobre o ritmo de recuperação econômica na Europa e incertezas em relação à aplicação da nova diretriz de política monetária do Federal Reserve contribui para manter em alta a procura pelo dólar em todo o mundo. Como resultado, a moeda americana se fortalece contra praticamente todas as demais divisas, se aproveitando também da fraqueza do setor acionário nos Estados Unidos. No Brasil, a moeda americana era negociada a R$ 5,5456, alta de 1,41%, por volta das 13h20. Na máxima bateu R$ 5,5597. "Temos visto o real completamente colado com os demais emergentes. Esta manhã, os dados da conta corrente chegaram a dar algum alívio, mas rapidamente foram deixados de lado", nota Victor Candido, economista da Journey Capital. Segundo o BC, o superávit na conta corrente chegou a US$ 3,7 bilhões em agosto, o maior para o mês da série histórica, que começa em 1995. Além dos temas que têm empurrado o dólar para cima desde o início da semana, ontem foi a vez de o presidente do Federal Reserve de Chicago, Charles Evans, ajudar a moeda americana ao levantar dúvidas sobre a nova forma de atuação da autoridade monetária. O dirigente afirmou que o Fed poderia elevar os juros antes da meta de inflação para um período de 2% ser atingida, o que pareceu vir na contramão do que os demais dirigentes vinham tentando passar nas últimas semanas, desde que a nova política foi anunciada. Hoje, em uma nova aparição, Evans aparentemente recuou. Afirmou que, para que fique claro que a nova orientação do Fed esteja funcionando bem, a inflação nos EUA pode rodar em 2,5% por algum tempo. O dirigente, que volta a ter voto em 2021, disse ainda que o incremento na compra de títulos não é algo a se pensar para agora, talvez "mais tarde". Outro fator de suporte para o dólar, o euro continua a devolver ganhos recentes nesta sessão. Além dos receios sobre a ressurgência da Covid-19 no continente, o ativo também ressente a leitura mais branda do PMI composto, que caiu de 56,6 em agosto para 54,4 na preliminar de setembro. "Ainda esperamos uma recuperação firme da zona do euro nos próximos meses, mas dados recentes sugerem que os riscos claramente estão pendendo para baixo", diz o Wells Fargo em nota. Kiyoshi Ota/Bloomberg