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Dólar e juros futuros operam em alta em reação a exterior negativo

Marcelo Osakabe e Victor Rezende
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Ambiente externo avesso ao risco e preocupações em torno da sustentabilidade das contas públicas no Brasil influenciam negócios Uma conjunção de fatores negativos contribui para manter investidores na defensiva nesta segunda-feira. Pressionado por receios sobre o ressurgimento da covid-19 na Europa, de um lado, e as tensões políticas nos Estados Unidos e a denúncia de que importantes instituições do setor bancário desafiaram autoridades ao movimentar e lavar cerca de US$ 2 trilhões em recursos ilícitos no sistema financeiro americano, os índices acionários em todo o mundo apresentam queda relevante. Já o dólar volta a se fortalecer globalmente. Por volta das 13h20, o índice Dow Jones recuava 2,96%, aos 26.848,71 pontos. No Brasil, o dólar comercial acompanha o vai e vém dos índices americanos e reduzia a alta para 1,11% no horário acima, a R$ 5,4378. Entre os fatores de cautela do dia estão o aumento no número de casos na Europa, que reacende temores de novas restrições à atividade econômica, um desdobramento que teria impactos no ritmo da recuperação econômica global. Além disso, pesa sobre o setor bancário a denúncia do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos de que instituições teriam movimentado US$ 2 trilhões em recursos ilícitos do sistema financeiro dos EUA ao longo das últimas duas décadas. Separadamente, a avaliação de que a morte da juíza da Suprema Corte dos Estados Unidos, Ruth Bader Ginsburg, deve complicar ainda mais a corrida eleitoral ao desencadear uma nova queda de braço sobre sua sucessão - o presidente Donald Trump já indicou que quer vai encaminhar o nome em breve - torna mais incertas as perspectivas de um acordo sobre uma nova rodada de estímulo fiscal para sustentar a economia dos EUA. O tombo do sentimento de risco global pega no contrapé um mercado de câmbio que continuava a se ajustar em direção a um dólar mais fraco. Segundo o IGN, dados da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC) mostram que, pela primeira vez desde 2013, a posição técnica de nove das dez moedas do chamado G10, grupo das divisas de países desenvolvidos, mostrava investidores vendidos na moeda americana. Por outro lado, ponderam, "embora isto normalmente ressalte um risco desproporcional de um 'short squeeze' (evento em que investidores correm para cobrir perdas em suas posições) no euro, este será limitado pela atual combinação extraordinária de fatores negativos para o dólar. Juros No mercado de juros, o estresse da sexta-feira continuou a ser observado neste início de semana, com as taxas em alta expressiva, especialmente nos trechos intermediários e longos. Os riscos fiscais e a incerteza quanto ao financiamento da dívida pública continuam no radar dos agentes, mas também o tom negativo dos negócios no exterior contribui para a forte incorporação de prêmio de risco na curva de juros brasileira. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 passava de 2,96% no ajuste anterior para 3,05%; a do DI para janeiro de 2023 subia de 4,38% para 4,51%; a do contrato para janeiro de 2025 saltava de 6,30% para 6,45%; e a do DI para janeiro de 2027 avançava de 7,28% para 7,42%. Pixabay