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Dólar e Bolsa fecham com altas moderadas após reação de autoridades contra atos golpistas

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O dólar chegou a subir mais de 1% no começo do dia, mas fechou com alta mais discreta nesta segunda-feira (9), depois das reações das autoridades contra apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro que invadiram a sede dos Três Poderes em Brasília neste domingo (8), enquanto a Bolsa fechou em leve alta, mais influenciada pelo exterior.

Para analistas, as atitudes já tomadas pelas autoridades para conter atos golpistas, como o indiciamento de cerca de mil pessoas pela Polícia Federal e a determinação da retirada dos acampamentos em frente ao quartel-general do Exército em Brasília, passaram uma mensagem de solidez das instituições aos investidores, especialmente os estrangeiros.

Nesta segunda-feira, os presidentes dos Três Poderes divulgaram uma nota repudiando os atos golpistas e de vandalismo que ocorreram na véspera.

O dólar comercial à vista fechou em alta de 0,38%, a R$ 5,2570 na venda, depois de atingir a cotação de R$ 5,30 na máxima do dia. O Ibovespa fechou em alta de 0,15%, a 109.129 pontos.

O EWZ, fundo de índice (ETF) composto por ações brasileiras negociado em Nova York, chegou a cair 2,40% no início da manhã, e estava em queda de 0,78% às 18h20 (horário de Brasília).

Os juros, que passaram boa parte do dia em alta, fecharam em baixa. Os contratos com vencimento em 2024 recuaram de 13,61% ao ano no fechamento da última sexta-feira (6) para 13,57% nesta segunda. A taxa para 2025 caiu de 12,90% para 12,78%. Para 2027, o recuo foi de 12,81% para 12,71 %.

Em análise, o Citigroup avalia que os atos golpistas deste domingo não devem ter maiores implicações, pois carecem de apoio de líderes políticos importantes, e até mesmo o ex-presidente Jair Bolsonaro criticou o vandalismo praticado em Brasília.

O JP Morgan, à medida que o dia a dia do governo se normalizar, as questões econômicas vão novamente dominar a atenção dos investidores.

No Brasil, um dos setores destacados pelos analistas do banco americano é o de consumo, e nesta segunda, ações como as ordinárias de Americanas e Magazine Luiza estão entre as maiores altas do Ibovespa.

Em outros eventos recentes de militantes bolsonaristas, como a queima de veículos em Brasília durante tentativa de invasão ao prédio da Polícia Federal, no final de 2022, a reação negativa dos investidores foi mais intensa, lembra Rafael Marques, economista e CEO da Philos Invest.

No dia da tentativa da invasão, em 13 de dezembro, a Bolsa caiu mais de 3%. "Hoje houve uma certa volatilidade, mas o desempenho relativamente mais estável se deve principalmente ao preço das ações, que estão baixos, e à expectativa de retomada econômica da China, que seria positiva para o Brasil", explica Marques.

Lorena Laudares, analista política da Órama Investimentos, lembra que o investidor estrangeiro representa mais de 50% da movimentação diária da Bolsa, e a percepção de uma instabilidade institucional pode afastar esses investidores.

"Os rumos dos mercados nos próximos dias serão definidos pela capacidade das instituições de conseguir evitar novos atos de vandalismo, e também não permitir a adesão de categorias importantes, como os caminhoneiros", diz Laudares.

João Lucas Tonello, analista de Investimentos da Benndorf Research, explica que uma instabilidade política, com atos de violência ou conflitos, levam o investidor estrangeiro a ter uma reação imediata de retirada de seus recursos.

"Por outro lado, a aceleração de violência nas manifestações acabará dividindo o público indeciso, já que os apoiadores de atos violentos são minoria. Com as consequências destes atos, a tendência é de mais previsibilidade e menos incerteza ao longo do ano de 2023, trazendo cada vez menos impactos negativos", projeta Tonello.

Estrategistas do Itaú BBA apontaram efeito negativo nos ativos brasileiros, dado o aumento do prêmio de risco institucional, "mas com o tempo o impacto deve diminuir, já que o foco provavelmente retornará ao debate de política econômica", diz trecho relatório a clientes.

Dan Kawa, analista da TAG Investimentos, acredita que os eventos deste domingo são negativos para os dois lados do ambiente político polarizado no Brasil. "A esquerda seguirá com enorme desafio de se colocar neste "equilíbrio instável". A direita, vista como instigadora desses movimentos, irá sofrer as consequências jurídicas, criminais e políticas do evento."

Para Danielle Lopes, sócia e analista de ações da Nord Research, os atos golpistas desde domingo devem ter como resultado final o fortalecimento da agenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). "A oposição fica cada vez mais enfraquecida, e isso pode acelerar os planos do governo no Congresso."

Em Nova York, os principais índices de ações passaram a maior parte do dia em alta, mas no final, a tendência foi mais negativa. Isso porque uma dirigente do Federal Reserve, banco central americano, disse nesta segunda que ela espera um aumento dos juros para um patamar superior a 5%.

O índice Dow Jones recuou 0,34%, o S&P 500 caiu 0,08%, enquanto o Nasdaq fechou em alta de 0,63%. O barril do petróleo Brent subia 1,40% às 18h25 (horário de Brasília), a US$ 79,67.