Mercado fechado

Dólar dispara com reação à proposta do Renda Cidadã e obriga ação do BC

·2 minutos de leitura

Após o leilão do BC, que injetou US$ 877 milhões no mercado à vista, a moeda americana moderou o movimento e encerrou com valorização de 1,42%, a R$ 5,6358 A proposta do governo para financiar o Renda Brasil gerou forte reação negativa no mercado local, levando o dólar a ser negociado em patamares não vistos desde maio nesta segunda-feira. O movimento do câmbio, que se descolou dos demais mercados emergentes, levou o Banco Central a realizar nova intervenção no mercado à vista. Desta forma, após tocar R$ 5,6753 no momento mais nervoso do dia, a moeda americana se acomodou e encerrou em alta de 1,42%, aos R$ 5,6358. Este é o maior patamar desde 20 de maio, quando o dólar fechou em R$ 5,6875. Vale notar que o real e outras divisas emergentes já viviam um dia mais dificil, embora os mercados desenvolvidos tenham passado por uma sessão de recuperação. Para Gustavo Rangel, economissta-chefe para a América Latina do ING, o momento já difícil para essa classe de ativos pode ter reflexo de algum contágio vindo do rublo e da lira turca - divisas que se depreciaram em meio ao receio de conflito entre Armênia e Arzebaijão, mas também do ambiente ainda bastante vacilante para o apetite de risco global. “O fato de que o peso mexicano está indo junto com o real me faz pensar que não é nada específico, apenas ativos que são bastante voláteis ou que estão com posicionamento extremado”, diz. Ainda assim, o humor azedou de vez quando o governo apresentou a proposta de financiar o Renda Cidadã tirando recursos destinados ao pagamento de precatórios e também fazendo com que o Fundeb arque com parte dos benefícios. A proposta prontamente gerou mal-estar entre participantes de mercado. Um economista-chefe de uma gestora paulista, que preferiu não ser identificado, classificou a saída proposta pelo governo como uma 'pedalada'. "A grande verdade é que ninguém sabe ao certo como seria financiado o Renda Cidadã (ou Renda Brasil). Nós contávamos com alguma responsabilidade fiscal do governo que se traduziria, em última instância, em algum remanejamento de gastos e/ou reformas anunciadas, sendo que esta última nos parecia ser candidata mais provável. Em parte, o bate-cabeça entre Executivo e Legislativo nós esperávamos, mas normalmente seguindo por caminhos mais reformistas e não via ‘pedaladas’", disse. “Limitar pagamento de precatórios é eufemismo para dizer que se empurrará com a barriga um pedaço relevante dessas despesas (obrigatórias). Não se cancelou um centavo de gasto. Quanto a usar 5% do Fundeb, é preocupante, pois pode representar bypass no teto de gastos”, escreveu em seu perfil no Twitter o economista e executivo-chefe do Instituto Fiscal Independente (IFI), Felipe Salto. Pixabay