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Dólar tem firme queda com ajuda do exterior e Copom mais duro

Lucas Hirata e Marcelo Osakabe

Ambiente é mais propício para a tomada de risco no mundo após indicadores melhores que o esperado na Europa O ambiente global mais favorável ao risco e a percepção de que o Copom assumiu um tom mais duro sobre os rumos da Selic contribuem para a queda do dólar nesta terça-feira, garantindo a terceira baixa seguida da divisa americana. Em uma demonstração da conhecida volatilidade, o avanço do real é, de novo, mais intenso que o de demais divisas emergentes.

Por volta das 13h50, o dólar comercial operava em queda de 2,17%, a R$ 5,1558, após tocar R$ 5,1505 na mínima do dia. Com isso, a queda do dólar ante o real é novamente destaque entre as 33 principais divisas do mundo.

"Qual a causa do rali de tomada de risco? Política e economia", dizem analistas do Wells Fargo. "Ontem, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou no Twitter que o acordo comercial com a China está intacto. Do lado econômico, os PMIs da zona do euro e do Reino Unido vieram melhores que o esperado."

Para o economista-chefe do ING na América Latina, Gustavo Rangel, o movimento de alívio no câmbio brasileiro conta ainda com a percepção de um tom mais duro do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. “O discurso sobre política monetária me pareceu um pouquinho mais ‘hawkish’ hoje, com risco de outro corte na Selic perdendo um pouco de fôlego. Para que o real tenha uma performance melhor que outras moedas emergentes é fundamental que o BC pare de cortar a Selic”, diz o especialista.

Em apresentação preparada para live nesta manhã, o diretor de política monetária do BC, Bruno Serra, voltou a mostrar uma visão mais positiva para o câmbio no futuro próximo. O dirigente ressaltou que o déficit em transações correntes mostra melhora nos últimos meses e que segue sendo financiado por parcela mais estável de capitais. Serra lembrou ainda que as reservas e a posição cambial líquida da autoridade monetária seguem próximas das máximas históricas, o que dá conforto para seguir atuando "caso necessário".

Com o otimismo vindo de fora em alta, as preocupações políticas permanecem fora de foco. Apesar disso, nesta manhã, integrantes do ministério público do Rio de Janeiro (MP-RJ) e Minas Gerais (MP-MG) fizeram operação em endereços de parentes de Fabricio Queiroz, foi preso na casa do ex-advogado de Flavio Bolsonaro, Frederick Wassef. O alvo é mulher de Queiroz, Márcia Aguiar, que está foragida desde a semana passada.

Para Rangel, do ING, os ruídos políticos em torno da prisão de Queiroz não parecem trazer uma visão negativa sobre a condução da agenda econômica, o que ameniza o impacto no mercado. “Para mim, o governo Bolsonaro sofre um risco ainda bem pequeno de crise política real tipo impeachment ou agenda irresponsável no Congresso”, explica.

Andrew Harrer/Bloomberg