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Dólar sobe a R$ 5,49 em meio a aversão global a risco e força intervenção do BC

Marcelo Osakabe

Ambiente no exterior, que reflete temor de nova onda de covid nos EUA, penaliza emergentes; autoridade monetária vendeu mais de US$ 500 mi no mercado à vista A turbulência no mercado de câmbio subiu de patamar nesta sexta-feira e forçou o Banco Central a retomar as operações de intervenção, em uma tentativa de amenizar a disparada do dólar. A autoridade monetária recorreu ao estoque de reservas e vendeu mais de US$ 500 milhões no mercado à vista, mas a divisa americana manteve a trajetória de firme alta e até atingiu novas máximas no dia depois do leilão de “spot”.

Por volta das 12h45, o dólar comercial subia 2,67%, aos R$ 5,4784, depois de tocar R$ 5,4930. O que deixa o movimento ainda mais notório é o fato de que o real, novamente, é a moeda que mais se desvaloriza dentre as 33 divisas mais negociadas do mundo. O peso mexicano, segundo pior colocado no ranking, perdia 1,29% há pouco.

A disparada do dólar por aqui segue firme mesmo após a atuação do Banco Central no mercado. A autoridade monetária vendeu US$ 502,5 milhões no mercado à vista, na primeira operação deste tipo desde 1º de junho. O efeito limitado da intervenção resultou em críticas de alguns profissionais do mercado, que viram ou uma demora na medida ou o uso de um instrumento que não seria tão eficiente neste momento.

Para o profissional de uma asset, por exemplo, o BC poderia ter atuado com um volume expressivo de swap cambial, já que a demanda hoje no mercado é por proteção via derivativos e não tanto fluxo no mercado à vista. Além disso, o interlocutor afirma que o BC agiu quando o movimento no câmbio já estava muito acentuado e, por isso, o efeito foi bastante limitado.

A busca por proteção do dólar hoje tem como pano de fundo o aumento de casos da covid-19 nos Estados Unidos e a consequente retomada de medidas de distanciamento social em algumas regiões, abalando a esperança de uma rápida recuperação da maior economia do mundo. Hoje, o governador do Texas anunciou o restabelecimento de medidas de restrição para conter o avanço da doença.

E se já não bastasse toda a pressão lá de fora, prevalece também um certo incômodo dos agentes locais com uma possível flexibilização do teto de gastos. Ontem, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, não descartou a possibilidade de rever as condições da lei, que serve de âncora fiscal no país. Maia afirmou que o ideal é que uma eventual revisão ocorra só depois da reforma administrativa do Estado, mas disse que consultará economistas e o governo para discutir se essa mudança poderá ser uma saída para a crise.

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