Mercado fechará em 2 h 34 min

Dólar comercial salta 5% e fecha acima de R$ 5 pela primeira vez

Valor

A piora do sentimento de risco global, intensificada aqui pelo mal-estar com os embates políticos entre o presidente Jair Bolsonaro e representantes do Congresso, fizeram o dólar registrar nesta segunda-feira a maior alta diária desde o dia que ficou conhecido nos mercados como “Joesley Day”.

No encerramento dos negócios, a moeda americana foi negociada em alta de 5,16%, aos R$ 5,0612. Esta é a primeira vez que o dólar encerra acima do patamar psicológico de R$ 5,00 e também é o maior ganho em um único pregão desde os 8,06% registrados em 17 de maio de 2017.

Com isso, o real também encerrou o dia como a moeda de maior desvalorização, acima do peso mexicano, contra o dólar avançava 4,99% no horário de fechamento.

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A escalada da moeda americana foi paulatina ao desde o início da tarde, mas acabou intensificada nas últimas horas de negociação, que coincidram com uma piora no exterior. Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump admitiu que a pandemia do novo coronavírus pode durar mesas e inclusive levar o país à recessão.

Em um sinal de que o pânico pode ter sido pontual, por outro lado, o contrato do dólar para abril, o mais negociado, desacelerou a alta e avançava 3,76%, aos R$ 4,0155, por volta das 17h30.

Além do cenário desafiador, participantes de mercado também atribuem à performance da moeda de hoje ao comportamento do presidente Jair Bolsonaro no fim de semana e a piora das relações com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia.

No domingo, Bolsonaro descumpriu orientação médica e se encontrou com manifestantes do ato contra o Congresso e o Judiciário no domingo. Nesta segunda-feira, rebateu as críticas por seu gesto e disse que seria um “golpe” tentar isolar o chefe do Executivo.

“Chocou a reação do presidente. O ambiente político não é dos mais favoráveis para continuidade da agenda de reformas”, diz Luciano Rostagno, estrategista-chefe do banco Mizuho no Brasil.

A deputada estadual Janaína Paschoal (PSL-SP) defendeu que Bolsonaro seja afastado do cargo. A deputada, que chegou a ser cotada para concorrer como vice na chapa de Bolsonaro em 2018, defende que o vice, general Hamilton Mourão, assuma o cargo.

A tensão do dia se deu em meio a uma expectativa de que o Copom pudesse se adiantar à reunião de quarta-feira e anunciar alguma medida após o Federal Reserve cortar em 1 ponto a taxa básica de juros nos Estados Unidos, além de anunciar outras medidas de estímulo.

A ação do Fed foi seguida, desde então, de medidas parecidas por parte de outros bancos centrais. Nesta tarde, o Chile baixou para 1,0% a taxa básica de juros. No entanto, até o fechamento dos mercados, as únicas decisões anunciadas foram para facilitar a negociação do crédito e ampliar a folga de capital.