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Dólar comercial opera em baixa; investidor acompanha cena externa

Lucas Hirata

Dados econômicos no Brasil e cena externa merecem acompanhamento O dólar comercial dá a largada na última semana do semestre com uma nova rodada de instabilidade, repetindo o padrão de movimentos abruptos dos últimos dias. Mais cedo, a moeda americana até devolveu um pouco mais de prêmio quando chegou a operar abaixo da marca de R$ 5,40, beneficiando-se do ambiente exterior mais favorável a ativos de risco. No entanto, a queda teve pouca convicção e logo foi revertida.

De acordo com operadores, as variações do câmbio hoje e amanhã – que marcam o fim do semestre – tendem a ser mais erráticas. Além de todo o cenário de incertezas geradas pela pandemia da covid-19, fatores sazonais como a formação da taxa Ptax de fim de período, que serve de referência para liquidação de derivativos cambiais, trazem pressão adicional para o câmbio.

Por volta das 12h45, o dólar comercial tinha queda de 0,14%, aos R$ 5,4534, tendo oscilado entre a máxima de R$ 5,4709 e a mínima de R$ 5,3937. Com esse resultado, o dólar caminha para atingir alta de mais de 2% contra o real no mês. Se confirmada essa variação amanhã, será o quinto mês de alta no ano cujo movimento teve a exceção apenas em maio.

Assim o dólar avança quase 36% no semestre até o momento. Vale dizer que, com esse salto do dólar no ano, o real tem o pior desempenho do semestre entre as principais divisas do mundo. Isso mostra que o real carrega um prêmio de risco mais elevado que outros pares emergentes, no entanto os investidores veem com restrições possíveis posições na moeda brasileira, já que outros ativos – como bolsa e juros – parecem ter teses de investimento mais sólidas enquanto o câmbio serve para operações de hedge em um cenário marcado por incertezas.

Entre as maiores preocupações dos últimos dias, está o receio de uma ressurgência de casos da covid-19 em países que pareciam ter controlado o surto. Nos EUA, autoridades da Flórida, Texas, Califórnia e Arizona impuseram novas restrições e recuaram nos planos de reabertura das atividades. Na China, o governo voltou a aplicar o isolamento para cerca de 500 mil pessoas na região de Pequim.