Dólar cai ante o real à vista e sobe no mercado futuro

O dólar registrou nesta quarta-feira direções divergentes nos mercados à vista e futuro, em um movimento de ajuste técnico e influenciado pelo fluxo cambial positivo, conforme os dados mais recentes do Banco Central (BC). A moeda americana terminou o dia cotada a R$ 2,0670 no balcão, em baixa de 0,34%, apesar de, no mercado futuro, o dólar para dezembro registrar ganhos consistentes ao longo do dia.

Na cotação mínima no balcão, a moeda americana atingiu R$ 2,0580 e, na máxima, R$ 2,0700. O dólar operou no balcão em baixa durante todo o dia. Perto das 17 horas, o giro financeiro somava US$ 1,336 bilhão (US$ 1,272 bilhão em D+2). Na BM&F, o dólar pronto fechou em queda de 0,34%, a R$ 2,0660, mas com apenas um negócio durante o dia. Às 17h04, o dólar para dezembro de 2012, na contramão do à vista, era cotado a R$ 2,0690, com ganho de 0,24% - um patamar menor que a máxima de R$ 2,0755 vista durante o dia.

Este movimento divergente está ligado a ajustes feitos hoje, no mercado à vista, ao verificado no fim da terça-feira no mercado futuro. Ontem, fonte do Banco Central informou à Agência Estado, perto das 17h30, que com a dinâmica atual do mercado de câmbio, a autoridade monetária não vai rolar os dois vencimentos de swap cambial reverso, de 3 de dezembro (US$ 3,140 bilhões) e de 2 de janeiro de 2013 (US$ 1,875 bilhão). Além disso, o BC não descarta a possibilidade de antecipar a não rolagem destes vencimentos. Isso é feito trocando este swap reverso por um swap normal, por meio de um leilão antecipado. O swap cambial reverso corresponde à compra de dólares no mercado futuro, enquanto o swap tradicional representa a venda.

Ontem, esta sinalização pegou as transações de balcão já encerradas, mas permitiu a desaceleração da alta do dólar no futuro, já que este mercado fecha às 18 horas. Hoje, o dólar passou a se ajustar em baixa, no balcão, à possibilidade de não rolagem dos swaps reversos. "De manhã, houve um movimento de realização, com o dólar abrindo com uma queda grande (no balcão). Ao longo do dia, a moeda veio recuperando", comentou o gerente de câmbio da TOV Corretora, Fernando Bergallo.

À tarde, o Banco Central informou que o fluxo cambial em novembro, até o dia 9, foi positivo em US$ 2,305 bilhões. O resultado surge após o fluxo negativo de outubro, de US$ 3,823 bilhões, que trouxe pressão de alta para a moeda ante o real. "Tivemos uma informação nova, a de que o fluxo cambial foi positivo", destacou Alfredo Barbutti, economista da BGC Liquidez Corretora. "Se houvesse continuidade do fluxo negativo, como vimos em outubro, a pressão (de alta) sobre o dólar seria maior."

Apesar do fluxo e da expectativa de que o BC não role os contratos de swap cambial reverso nos próximos vencimentos - o que, em tese, contribui para segurar a alta do dólar -, a moeda americana continuou subindo no mercado futuro nesta quarta-feira. Profissionais ouvidos justificaram a alta lembrando que o BC sinalizou a não rolagem dos swaps e até a antecipação da não rolagem, mas não atuou no mercado hoje. Além disso, o cenário externo hoje seguiu ruim, dando força à moeda americana ante outras divisas de países ligados a commodities. E os feriados de amanhã no Brasil e da próxima terça-feira em algumas cidades do País contribuiu para a busca de segurança. Como resultado, as compras de moeda continuaram no segmento futuro. "Por preocupação, o investidor pode estar antecipando a compra, porque se surgir qualquer notícia ruim no exterior, ele não conseguirá operar por aqui", acrescentou Barbutti.

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