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Dólar cai nesta quinta-feira (5) e investidores reverberam acenos do novo governo

***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 24.01.2019 - Still de mãos segurando cédulas de dólar. (Foto: Gabriel Cabral/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 24.01.2019 - Still de mãos segurando cédulas de dólar. (Foto: Gabriel Cabral/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O dólar recuava frente ao real nos primeiros negócios desta quinta-feira (5), conforme investidores continuavam ajustando posições na esteira de disparada da moeda no início da semana, reverberando ainda acenos do novo governo à manutenção de medidas de gestões anteriores.

Às 9h12 (horário de Brasília), o dólar à vista recuava 0,70%, a R$ 5,4134 na venda

Nesta quarta (4), a Bolsa de Valores brasileira fechou em alta apoiada na recuperação da Petrobras, cujas ações sofreram baixas recentes diante do temor de investidores locais com a agenda econômica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A ata do Fed, banco central americano, impediu que o Ibovespa fechasse com uma valorização ainda maior.

A alta da estatal acelerou no início da tarde, após a agência Bloomberg publicar notícia em que o senador petista Jean Paul Prates, escolhido de Lula para comandar a empresa, disse que a estatal revisará a forma como calcula a necessidade de reajustes de preços, mas que eles continuarão em linha com os praticados internacionalmente.

Ele afirmou ainda que o governo não fará intervenção direta nos preços da companhia e nem fixação de preços.

Mais tarde, porém, Prates afirmou que pretende rever a política de paridade em relação aos preços para importação de petróleo -que leva em conta custos como frete de navios, custos internos de transporte e taxas portuárias.

A ação PN da Petrobras chegou a subir mais de 5% após as declarações de Prates, e fechou em alta de 3,17%. Isso em mais um dia de queda forte do petróleo. O barril do tipo Brent estava em queda de quase 5% pouco depois das 18h, cotado a US$ 78,01. Nos dois primeiros dias de negócios de 2023, o petróleo caiu quase 10%.

O Ibovespa fechou em alta de 1,12%, aos 105.334 pontos. No meio da tarde, antes da divulgação da ata da última reunião que definiu a alta dos juros nos Estados Unidos, em dezembro, o índice chegou a subir mais de 1,30%.

A Eletrobras foi outra que teve bom desempenho nesta quarta, com a ação ON em alta de 2,68%. Está marcada para esta quinta (5) uma assembleia de acionistas que vai deliberar, entre outros temas, o resgate e posterior cancelamento das ações PNA da elétrica, com o pagamento de R$ 48,45 por por papel. O objetivo é simplificar a estrutura acionária e listar a empresa no Novo Mercado, índice que tem exigências mais rígidas de governança corporativa da B3.

No câmbio, o dólar comercial à vista fechou estável frente ao real, cotado a R$ 5,4520 na venda, enquanto no exterior a moeda americana perdia terreno na comparação com as principais divisas mundiais.

Pelo terceiro dia consecutivo, as taxas de juros dos depósitos interbancários avançaram. Os contratos com vencimento em 2024 passavam de 13,69% para 13,75% ao ano. Já a taxa DI para 2025 subia de 13,17% para 13,21%. Negociados exclusivamente entre instituições financeiras, os juros DI são referência para o crédito no país.

No exterior, as atenções se voltaram para os Estados Unidos nesta tarde, com a divulgação da ata da última reunião do Fed, o banco central americano, que definiu a alta dos juros para o intervalo entre 4,25% e 4,50%.

Rafael Pacheco, economista da Guide Investimentos, classificou a ata do Fed como "dura" no que diz respeito ao combate à inflação. "Fica claro que o banco central dos Estados Unidos está preocupado com um possível cenário de recessão, com medo de errar a mão para cima nos juros. Mas também que vai perseguir a meta de inflação de 2% ao ano", afirma o economista.