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Dólar cai mais de 2% ante real com perspectiva de transição tranquila após vitória de Lula

Pessoa segura notas de dólar

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar aprofundava suas perdas para mais de 2% nesta segunda-feira, revertendo ganhos depois de mais cedo ter superado os 5,40 reais, com investidores reagindo positivamente à redução de temores sobre possível contestação do resultado das eleições presidenciais, depois que apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL) e líderes de várias instituições brasileiras reconheceram a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no pleito de domingo.

Às 15:34 (de Brasília), o dólar à vista recuava 2,30%, a 5,1802 reais na venda. Na mínima do dia, a moeda norte-americana perdeu 2,76%, a 5,1556 reais na venda, menor patamar intradiário desde 21 de outubro.

Na B3, às 15:34 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento caía 0,86%, a 5,2565 reais.

O dólar abriu em forte alta nesta segunda-feira, e chegou a saltar 2% nos primeiros negócios, a 5,4088 reais, mas foi perdendo força ao longo do dia em meio à percepção de relativa tranquilidade no cenário pós-eleitoral.

Investidores temiam que Bolsonaro desafiasse o resultado de domingo, já que vinha atacando há meses a credibilidade das urnas eletrônicas e do processo eleitoral como um todo, mas até agora o presidente não se pronunciou, enquanto vários de seus apoiadores reconheceram a legitimidade da vitória de Lula.

Por trás da forte queda do dólar e da resiliência do Ibovespa, que alternava estabilidade e leve alta por volta de 15h30, alguns investidores também citaram a falta de surpresas em relação ao resultado eleitoral.

"Muita coisa já estava no preço", disse à Reuters Paulo Cunha, especialista em mercado financeiro e fundador da iHUB Investimentos. "Era auferida uma probabilidade maior de o Lula de fato levar essa eleição, desde a semana passada."

Alguns participantes do mercado disseram à Reuters que colaborava para o enfraquecimento do dólar a percepção positiva de agentes internacionais sobre Lula, cuja agenda é vista como muito mais alinhada à governança ambiental, social e corporativa (ESG, na sigla em inglês) do que a de Bolsonaro. ESG é um fator que é levado em consideração para decisões de investimento de várias instituições globais.

Passado o resultado das eleições presidenciais, com a confirmação de que não haverá grandes turbulências políticas, a indicação de Lula para a chefia de sua pasta econômica passa a ser uma das principais prioridades do mercado, principalmente em meio a temores persistentes sobre o futuro das regras fiscais do país.

(Por Luana Maria Benedito)