Mercado fechado

Dólar opera em queda e volta ao patamar de R$ 4,64

Marcelo Osakabe e Victor Rezende

Além dos mercados no exterior, investidores consideram resultado da produção industrial brasileira Ainda que nenhuma notícia positiva de grande calibre tenha surgido desde o pregão de ontem, os mercados globais ensaiam uma recuperação nesta terça-feira, com vários dos ativos de risco recompondo parte das perdas do dia anterior. No mercado de câmbio brasileiro, o dólar operava em queda de 1,74% às 15h57, cotado a R$ 4,6460, um dia depois de fechar a R$ 4,7282, elevação de 2%.

A recuperação das moedas emergentes, embora contida, ocorre após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar um plano de corte de impostos sobre a folha de pagamentos, que pode totalizar US$ 8 bilhões. No Japão, o governo aprovou um pacote de 1 trilhão de ienes (US$ 9,6 bilhões) em ajuda a pequenas e médias empresas afetadas pelo coronavírus.

Vale lembrar que o mercado de câmbio local é apoiado também por mais uma intervenção do Banco Central (BC) no câmbio. Pela manhã, a autoridade monetária vendeu mais US$ 2 bilhões no mercado à vista, elevando a US$ 5,465 bilhões o montante injetado penas nesta semana no sistema.

"Longe de ser uma correção, altas como as verificadas na manhã desta terça-feira são normais após sessões como a de ontem, em que o mecanismo de circuit break foi acionado na negociação dos índices futuros e à vista nos Estados Unidos, e ocorre enquanto o mercado avalia o novo patamar de preços do mercado", diz a Guide em relatório matinal.

No mercado de Credit Default Swap (CDS), os contratos de 5 anos do Brasil voltaram a operar com spread de 144 pontos, o mesmo patamar registrado no final da sexta-feira. Ontem, esse spread chegou a ser negociado em 207 pontos.

Também nesta terça-feira, o IBGE informou que a produção industrial subiu 0,9% na passagem de dezembro de 2019 para janeiro de 2020, ante expectativa do mercado de aumento de 0,7%.

Roberto Moreyra/Agência O Globo

Juros

No mercado de juros, depois de uma intensa recomposição de prêmio de risco na curva a termo, as taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) operaram em queda firme desde o início do dia, em especial nos vértices curtos e intermediários diante do ambiente externo mais ameno e da queda do dólar ante o real. O movimento, contudo, se mostrou mais contido nos trechos mais longos da curva à medida que a recuperação em outros ativos também começava a mostrar menor fôlego. A expectativa de uma Selic em níveis mais baixos continuam no radar dos agentes financeiros, que continuam a mostrar divisão quanto ao grau necessário de estímulos monetários adicionais na economia brasileira.

A taxa do DI para janeiro de 2021 caía de 4,01% no ajuste anterior para 3,915%; a do contrato para janeiro de 2022 cedia de 4,63% para 4,50%; a do DI para janeiro de 2023 passava de 5,37% para 5,21%; e a do DI para janeiro de 2025 recuava de 6,35% para 6,23%.

“Ficou bem claro que os movimentos de ontem dos mercados foi exagerado, mas esse exagero serviu para que bancos centrais e governantes colocassem na cabeça que algo precisa ser feito para conter os efeitos do novo coronavírus”, diz Rodrigo Franchini, sócio da Monte Bravo Investimentos. Ainda ontem, Trump anunciou que deve adotar medidas para fazer frente ao impacto do coronavírus. Outras ações foram anunciadas na Austrália e no Japão.

Para Franchini, a ação coordenada global deve ter reflexos no Brasil. “Isso pressiona o governo para dar continuidade à agenda de reformas. Nesse cenário de crise mundial, ou o governo começa a ter um bom relacionamento com o Legislativo para aprovar reformas ou podemos ter problemas porque só os cortes nos juros não têm surtido muito efeito na confiança”, afirma o sócio da Monte Bravo.