Dólar cai com formação da Ptax e mudança no IOF

O dólar abriu em queda nesta quinta-feira, seguindo tendência dos dias anteriores. No mercado à vista de balcão, a moeda norte-americana iniciou em baixa de 0,25%, a R$ 1,9850. Às 9h42, a moeda foi a R$ 1,9880 (-0,10%), testando a máxima até o momento, mas recuou em seguida para R$ 1,9830 (-0,35%), na mínima. Já no mercado futuro, o contrato para fevereiro de 2013 perdeu 0,15% logo na abertura, a R$ 1,9865, oscilando entre a mínima de R$ 1,9755 (0,70%) e R$ 1,9895 (estável).

Os operadores estão de olho nas movimentações do governo, após sinais aparentemente desencontrados emitidos por integrantes da equipe econômica na tarde de ontem. A sessão, no entanto, deve se concentrar na formação da Ptax, ao longo da manhã, com pressão dos "vendidos" para puxar a taxa para baixo. A novidade fica por conta da decisão do governo de alterar o IOF sobre aplicações em Fundo de Investimento Imobiliário, feitas a partir de hoje para a aquisição de quotas. A expectativa é de que a desmontagem das medidas colocadas nos últimos anos para a entrada de divisas possa continuar, como forma de reverter a tendência de fluxo negativo em janeiro, de US$ 2,692 bilhões.

O Diário Oficial desta quinta-feira informa que o governo alterou, por meio de decreto, o IOF sobre aplicações em Fundo de Investimento Imobiliário, feitas a partir de hoje para a aquisição de quotas de fundo de investimento imobiliário. Sobre esta mudança para aplicações de estrangeiros em fundos imobiliários, um operador avalia que aos poucos o governo flexibiliza as regras para aumentar o fluxo de recursos para o País.

"É mais uma medida nesse sentido, dando continuidade a retiradas das medidas cambiais restritivas adotadas em dezembro", disse. Para ele, essa medida não mexe diretamente com as cotações, ainda mais num dia como hoje, influenciado pela formação da Ptax. "Porém, ajuda a criar um ambiente de queda para as cotações do dólar, pois alimenta expectativas de entradas maiores de recursos".

A Ptax vem caindo há cinco sessões seguidas, período em que acumula baixa de 2,79%. Ainda assim, não se descarta um novo recuo hoje em razão de interesses técnicos ligados à formação dessa taxa, disse um operador de tesouraria de um banco. "Se não fosse a volatilidade instalada ontem no câmbio, após o pronunciamento do ministro da Fazenda, Guido Mantega, e do leilão de linha realizado pelo Banco Central, o dólar à vista teria encerrado com valor mais baixo, perto de R$ 1,98", disse o especialista.

O dólar à vista encerrou a quarta-feira a R$ 1,990 no balcão, acima do fechamento do dólar futuro para fevereiro de 2013, a R$ 1,9895.

Conforme divulgou o BC, os bancos estão vendidos em quase US$ 9 bilhões no mercado à vista. Além disso, os bancos também carregam posição vendida de cerca de US$ 5 bilhões em derivativos cambiais (cupom cambial-DDI e dólar futuro), montante quase equivalente à aposta na baixa do dólar feita também pelos investidores estrangeiros. Os fundos de investimento, por sua vez, estão "comprados" em cerca de US$ 11 bilhões nesses contratos futuros de câmbio.

Segundo a mesma fonte, apesar dos sinais turvos emitidos ontem pelo BC e a Fazenda, a percepção no mercado é de que a autoridade monetária BC quer o dólar perto de R$ 2,00. Isso vai depender do fluxo cambial daqui para a frente, mas uma taxa ao redor de R$ 1,98/R$ 1,97 não deve incomodar o BC assim como também o dólar em R$ 2,02 não deve perturbar, desde que esses movimentos reflitam o comportamento de fluxo de dólares diário e não seja um ajuste abrupto.

No exterior, as bolsas operam em baixa e o euro também tem leve queda ante o dólar. Os mercados ainda refletem a frustração com o desempenho da economia norte-americana no ano passado, cujo Produto Interno Bruto (PIB) teve contração de 0,1% no quatro trimestre de 2012, além de notícias corporativas. Na Itália, os yields (retorno ao investidor) dos bônus soberanos do país subiram para o nível mais alto deste ano enquanto a investigação do banco Monte dei Paschi di Siena continua preocupando os investidores diante a aproximação das eleições gerais no país marcadas para fevereiro.

No Japão, com os indicadores econômicos muito fracos, cresce a expectativa de flexibilização adicional da política monetária. Em Nova York, às 9h58, o euro caia a US$ 1,3554, de US$ 1,3588 no dia anterior. Já o dólar recuava a 90,95 ienes, de 91,41 ienes no fim da tarde de quarta-feira.

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