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Dólar cai e juros futuros sobem em linha com o exterior

Victor Rezende

Rali nos mercados globais na semana passada segue nesta segunda e faz moeda americana voltar a operar em queda em relação ao real O rali observado nos mercados globais na semana passada tem prosseguimento na manhã desta segunda-feira e faz com que o dólar volte a operar em queda em relação ao real. No mercado de juros futuros, a dinâmica é a mesma observada no exterior, com alta das taxas, diante da percepção de que a retomada da economia pode ser mais acelerada do que o esperado.

Por volta de 9h30, o dólar era negociado a R$ 4,9534 (-0,79%) no mercado à vista. No mesmo horário, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 passava de 2,18% no ajuste anterior para 2,185%; a do DI para janeiro de 2022 ia de 3,07% para 3,14%; a do contrato para janeiro de 2023 avançava de 4,18% para 4,25%; a do DI para janeiro de 2025 subia de 5,80% para 5,85%; e a do contrato para janeiro de 2027 ia de 6,77% para 6,80%.

É consenso entre os analistas de mercado que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central efetuará um novo corte na Selic na próxima semana e as apostas majoritárias no mercado apontam para uma redução de 0,75 ponto percentual. No entanto, desde a divulgação do “payroll” - o relatório do mercado de trabalho dos EUA - na sexta-feira, a percepção dos investidores de que a economia pode ter uma retomada mais rápida do que o esperado anteriormente faz com que as taxas futuras operem em alta ao longo da curva a termo, em especial nos trechos intermediários.

Alívio nas condições financeiras abre espaço para cortes adicionais na Selic

Ao participar de “live” promovida pelo Stock Pickers pela manhã, o economista-chefe da Verde Asset, Daniel Leichsenring, afirmou que, os trechos intermediários e longos da curva “estão com bastante prêmio”, tendo em vista o atual nível das taxas de curto prazo. “A inclinação está extremamente alta dado o juro que a gente tem hoje”, diz. Para ele, a tendência é a taxa de juros ser mantida em níveis baixos por bastante tempo. “Apesar dos problemas fiscais, temos condições de economia com ociosidade muito grande, inflação extremamente baixa, mesmo com a Selic indo para perto de 2%. Não vejo motivos para ter de subir juros, a não ser por um total descalabro fiscal.”

Embora os sinais tenham sido positivos na sexta-feira, houve indícios renovados, no fim de semana, de que a normalização da economia global pode demorar um pouco mais. Na China, as importações sofreram um tombo de 16,7% na comparação anual de maio, o que acendeu um sinal de alerta entre os economistas. Na Alemanha, impressionou a queda de 17,9% da produção industrial entre março e abril, o maior recuo da história. Apesar disso, o foco do mercado de câmbio está voltado para a reabertura da economia, o que dá aval à queda do dólar por aqui.

É preciso ressaltar, contudo, que a moeda americana opera em queda mais acentuada ante o real do que em relação a outras divisas de mercados emergentes nesta manhã. No horário acima, o dólar caía 0,13% na comparação com o peso mexicano, cedia 0,27% contra o rand sul-africano e recuava 0,61% ante o rublo russo. O retorno da T-note de dez anos subia para 0,911%.

Andrew Harrer/Bloomberg