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Dólar sobe com força contra real antes de ata do Fed

·3 minuto de leitura
Dólar sobe com força contra real antes de ata do Fed

Por Luana Maria Benedito

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar devolveu perdas vistas mais cedo e subia com força frente ao real nesta quarta-feira, à medida que investidores do mundo inteiro aguardavam a divulgação da ata da última reunião do Federal Reserve, em busca de pistas sobre o futuro da política monetária.

Às 14:14, o dólar avançava 1,24%, a 5,2751 reais na venda, chegando a tocar 5,282 reais na venda na máxima do pregão, alta de 1,37%. Caso mantenha esse desempenho até o final da sessão, o dólar registrará seu sétimo ganho diário consecutivo.

Mais cedo, na mínima intradiária, a divisa foi a 5,1702 reais, queda de 0,78%.

Na B3, o dólar futuro ganhava 1,47% neste pregão, a 5,288 reais.

Segundo vários analistas, o foco dos mercados internacionais está na ata da última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês). O documento, que será divulgado às 15h (horário de Brasília), pode oferecer sinais ao mercado sobre quando e como o Fed vai reduzir a liquidez e elevar os juros.

"A antecipação do fim dos estímulos à economia nos Estados Unidos (...) seria ruim para os emergentes e tenderia a aumentar a pressão sobre o câmbio desses países", explicou em nota Ricardo Gomes da Silva, superintendente da Correparti Corretora, ressaltando que os investidores não devem fazer grandes apostas antes da divulgação da ata.

A moeda norte-americana spot fechou o último pregão em alta de 2,40%, a 5,2106 reais na venda, seu ganho percentual mais forte desde 18 de setembro de 2020 (+2,77%), chegando a uma máxima desde 31 de maio (5,2254 reais). Fatores externos e a cautela doméstica ajudaram a direcionar esse comportamento.

MÉDIO PRAZO PROMISSOR?

O dólar já acumula alta de cerca de 7,4% contra a divisa brasileira desde que fechou o dia 24 de julho numa mínima em mais de um ano de 4,9062 reais.

Com a incerteza que se instalou recentemente no cenário doméstico -- em meio a tensões políticas cada vez maiores e uma proposta de taxação de dividendos mal recebida pelos investidores -- "vários hedge funds começaram a desmontar posições vendidas e até montar posições compradas" em dólar, explicou à Reuters Marcos Weigt, head de tesouraria do Travelex Bank.

"Temos um mercado que está muito suscetível a movimentos direcionados por fatores de curto prazo", explicou, apontando para grande volatilidade.

Mesmo assim, pensando num cenário de médio prazo, a tendência é de entrada de recursos no Brasil, o que poderia ajudar o real, afirmou Weigt. Com a perspectiva de aperto monetário agressivo pelo Banco Central e os preços das commodities ainda em patamares altos, apesar de perdas recentes, o real deve ficar mais atrativo para investidores estrangeiros, explicou. "Os termos de troca continuam favoráveis."

O BC promoveu em junho a terceira alta consecutiva de 0,75 ponto percentual da taxa Selic, a 4,25%, e há entre os investidores expectativa de possível aperto mais agressivo em seu encontro de agosto.

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