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Dólar cai com leilão do BC e expectativa de estímulo nos EUA

Marcelo Osakabe

No encerramento dos negócios, a moeda americana era negociada a R$ 4,6447, queda de 1,77 O pânico dos mercados globais na véspera deu lugar a uma recuperação moderada no pregão desta terça-feira, que abrangeu todas as classes de ativos. O tom mais construtivo foi ajudado pela expectativa com o anúncio de estímulos fiscais nos Estados Unidos e, no caso do Brasil, por uma nova intervenção do Banco Central no câmbio.

No encerramento dos negócios, a moeda americana era negociada a R$ 4,6447, queda de 1,77%. Os demais emergentes, em sua maioria, também se recuperavam do tombo do dia anterior. No mesmo horário, o dólar cedia 4,36% na comparação com o rublo russo e 1,10% ante o peso colombiano.

A maior exceção a esse movimento foi o peso mexicano, contra qual o dólar se manteve estável mesmo após o governo local anunciar, ontem, um aumento do programa de intervenção de US$ 20 bilhões para US$ 30 bilhões, em uma tentativa de amparar a moeda local.

No mercado local, o dia foi de recuperação desde os primeiros momentos de negociação, ajudados pelo leilão de US$ 2 bilhões no mercado spot. Esse movimento ganhou o reforço do noticiário em Washington, onde se espera que a Casa Branca possa anunciar um pacote de estímulos fiscais para conter os danos associados ao coronavírus. Nesta tarde, relatos de imprensa dão conta de que a medida teria apoio tanto dos republicanos quanto dos democratas.

“O noticiário sobre corte de impostos nos Estados Unidos e os leilões do Banco Central, que passou a ser mais assertivo e atuar no mercado à vista, ajudam o câmbio a se recuperar” afirmou o operador da Advanced Corretora, Alessandro Faganello.

Apesar da melhora em relação à véspera, o sentimento sobre o Brasil ainda não voltou aos patamares observados no fim da semana passada, ao menos segundo o spread do CDS de 5 anos. De acordo com dados compilados pela Markit, o spread do CDS brasileiro operava em 168 pontos, queda de 16,7% em relação ao fechamento de ontem. Ainda assim, ele está 16,2% acima dos 145 pontos registrados na última sexta-feira.

Por causa da natureza do choque de petróleo, que atinge com mais força alguns emergentes que outros, o risco-país também se comportou de forma distinta entro esse grupo. O CDS de México, Colômbia e Rússia, por exemplo, continuam ao menos 30% mais altos que na última sexta. Já África do Sul e Turquia, na outra ponta, foram os menos afetados. Seus respectivos CDS continuam apenas 11% e 3% maiores na mesma comparação.

A forte depreciação de moedas emergentes, inclusive, começa a colocar em risco a perspectiva de que os BCs desses países pudessem seguir o Federal Reserve e cortar juros para ajudar suas economias. Em uma tentativa de segurar o movimento, alguns deles já começam a intervir no câmbio.

O Banco do México (Banxico), por exemplo, já anunciou na segunda-feira que aumentou o montante de seu programa de intervenção via swap cambial de US$ 20 bilhões para US$ 30 bilhões. Ainda assim, para analistas do Bank of America, o tombo recente do peso e a inflação persistentemente alta deve limitar a ação da autoridade monetária local.

“O Fed cortou os juros em 0,5 ponto na semana passada e deve cortar mais 0,5 na próxima semana. Acreditamos que o Banxico irá responder também reduzindo sua taxa básica, mas em proporção menor. O mercado precifica um corte de juros maior no México que nos EUA nos próximos doze meses. Isso significa, portanto, que o Banxico deve apertar sua postura relativa de política monetária”, escrevem os economistas do BofA em relatório enviado a clientes.

Na Rússia, o BC local também elevou o teto do programa de swap cambial para US$ 5 bilhões e adiantou o início da venda de reservas cambiais do fundo soberano, dinheiro que será usado para financiar um maior gasto fiscal. No entanto, na avaliação de Evghenia Sleptsova, economista sênior da Oxford Economics, os preços muito baixos do petróleo devem acabar impactando no PIB local, ao passo que o rublo mais fraco irá adicionar cerca de 2,2 pontos percentuais à inflação, que irá ficar acima da meta de 4% até o fim do ano”.

Nesse sentido, o Banco da Rússia deve entregar um aumento na taxa básica de juros em 20 de março “para minimizar as saídas de capital”.

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