Mercado fechado

Dólar cai com exterior, mas volatilidade ainda impera

Lucas Hirata
·3 minuto de leitura

As variações intensas do dólar voltaram a ser notadas na sessão desta segunda-feira, deixando claro que a volatilidade se tornou o padrão global desde o estouro da crise. Desta vez, os ventos foram favoráveis ao real com notícias positivas sobre o desenvolvimento de novos tratamentos da covid-19. O dólar comercial fechou em baixa de 0,70%, aos R$ 5,3427, depois de tocar R$ 5,3286 na mínima do dia. Em diversos momentos, o real teve o melhor desempenho dentre as moedas mais líquidas do mundo. Isso denota, porém, que o câmbio local tem ido de um extremo ao outro no ranking do dia para a noite. No entanto, alguns profissionais começam a avaliar que o momento mais turbulento ficou para trás. A volatilidade implícita do real brasileiro para dois meses está atualmente em 18%, permanecendo acima do patamar, de 15%, do peso mexicano e do rand sul-africano. O indicador, que se baseia nos preços de derivativos, serve como uma espécie de termômetro da variação projetada no futuro, sendo acompanhado de perto no mercado. Para Ricardo Cattaruzzi, sócio e gestor de moedas da ACE Capital, a volatilidade do real está desacelerando ante os picos recentes e há expectativa de que a variações fiquem mais alinhadas agora com o humor externo. “O real ainda tem oscilado muito rápido durante a sessão, mas em um intervalo um pouco menor”, explica o profissional. Ele lembra que a moeda brasileira, historicamente, tem uma padrão de instabilidade mais elevado que os pares e isso foi exacerbado durante a crise. “Mas, agora, a volatilidade está cedendo e, proporcionalmente, a diferença para os pares já diminuiu”, acrescenta. Os analistas da MCM reconhecem que a volatilidade da taxa de câmbio no Brasil tem permanecido em nível elevado, a ponto de ser objeto de preocupação por parte do Banco Central. A despeito disso, “o câmbio também tem flutuado dentro de um intervalo relativamente definido” e “tal tendência deverá ser mantida por um bom tempo ainda”. A expectativa de um pouco mais de normalidade é baseada na correlação entre o comportamento recente da taxa de câmbio e de outros ativos, como os juros nos EUA e commodities, por exemplo, sugerindo que o câmbio está próximo do “lugar correto” neste momento. Além disso, na avaliação dos profissionais da MCM, o mercado parece estar, por ora, "confortável" em relação ao que sabe e ao que não sabe a respeito do cenário econômico. Ainda assim, a volatilidade do real segue intrigando grande parte dos analistas de mercado, que não descartam novas ondas de forte instabilidade por aqui. Em um cenário de juros baixos e grande liquidez nos mercados globais, esses agentes afirmam que fatores específicos têm resultado em instabilidade adicional para o câmbio, principalmente, em momentos de busca por proteção. Alguns operadores afirmam que se posicionar a favor do dólar e contra o real se tornou uma estratégia ainda mais usada agora para resguardar as carteiras com outros ativos como ações e juros futuros. Ao mesmo tempo, o desmonte dessas operações é rápido em um movimento que também resulta em volatilidade. Pixabay