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Dólar comercial opera em baixa com cena externa no foco

Marcelo Osakabe e Victor Rezende
·2 minutos de leitura

No mercado de juros futuros, taxas recuam com questão fiscal ganhando as atenções A melhora na perspectiva para o pacote fiscal nos Estados Unidos ajuda o dólar comercial a operar em queda firme nesta segunda-feira no Brasil, em linha com o comportamento da maior parte das demais emergentes. Internamente, esse viés é reforçado por sinais de distensão do ambiente político em Brasília após a troca de farpas entre os ministros Paulo Guedes (Economia) e Rogério Marinho (Desenvolvimento Regional) na sexta-feira passada. Por volta das 14 horas, a moeda americana cedia 1,46%, a R$ 5,5862. Em um dia onde apenas 5 das 33 divisas mais líquidas do mundo cede contra o dólar, o real disputa o posto de moeda de melhor desempenho do pregão com a coroa norueguesa. O principal motor da melhora no exterior são as expectativas por uma nova rodada de estímulos fiscais nos EUA após o presidente americano, Donald Trump, ter contraído a covid-19. No fim de semana, ele declarou no Twitter que espera por um desfecho positivo para o assunto. Houve também alguma reação ao indicador de serviços dos EUA de setembro, que avançou mais do que o esperado na comparação com agosto. Há ainda a expectativa de que o próprio Trump deixe o hospital hoje, o que reduz os temores sobre a corrida presidencial. “As primeiras pesquisas de opinião após o debate começam a aparecer e os resultados não são bons para o republicano”, ressaltam analistas do Brown Brothers Harriman em nota. No ambiente brasileiro, após a troca de farpas entre Guedes e Marinho, os investidores acompanham o desenrolar das reuniões para baixar a fervura. Há pouco, após reunião com Guedes, o senador Márcio Bittar (MDB-AC) afirmou que está estudando apresentar uma nova proposta para o financiamento do Renda Brasil na quarta-feira de manhã. "Tudo precisa passar o pelo crivo de Guedes", assegurou Bittar, que na semana passada ficou incomodado com as críticas do ministro à proposta de usar os precatórios. Bittar também minimizou o embate da semana passada. "Houve turbulência, é normal, são relações humanas. As coisas entraram no eixo de novo", disse. Outro pivô da rusga mais recente, Marinho deve se reunir com o presidente Jair Bolsonaro também hoje. Para a Tullett Prebon, é preciso observar se a melhora no tom das declarações em Brasília trará mudança concreta de atitude. "Fica difícil enxergar um robusto desfecho positivo sem Guedes liderar o processo e nem definições claras de onde virá o Renda Brasil", diz a corretora em relatório. No mercado de juros futuros, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 recuava de 3,40% no ajuste anterior para 3,27%; a do DI para janeiro de 2023 cedia de 4,85% para 4,68%; a do contrato para janeiro de 2025 caía de 6,71% para 6,55%; e a do DI para janeiro de 2027 passava de 7,60% para 7,48%. Kiyoshi Ota/Bloomberg