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Dólar cai após fim de semana sem novas contendas, mas instabilidade segue

·3 minuto de leitura
Funcionário do banco Korea Exchange conta notas de cem dólares na sede da instituição em Seul

Por José de Castro

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou em queda ante o real nesta segunda-feira, mais do que devolvendo a alta do pregão anterior, com investidores atentos às movimentações nos mercados de moedas no exterior antes da divulgação na terça de dados de inflação nos EUA, enquanto no plano doméstico o noticiário político seguiu sob os holofotes.

O dólar à vista caiu 0,84%, a 5,2236 reais. A moeda variou de 5,2661 reais (-0,03%) a 5,2016 reais (-1,26%).

Na sexta, a cotação havia subido 0,77%, para 5,2679 reais, com o mercado assumindo posição mais defensiva para o caso da publicação de novas manchetes negativas na seara política ao longo do fim de semana.

No entanto, no sábado o presidente Jair Bolsonaro manteve o tom mais baixo ao dizer que os Três Poderes da República precisam ser respeitados, enquanto as manifestações contra o chefe do Executivo ocorridas no domingo aparentemente não assustaram o governo.

Com isso, investidores devolveram o prêmio de risco acumulado na sexta e colocaram o dólar em patamar mais baixo.

De toda forma, o clima segue instável, enquanto bancos estrangeiros mantêm tom mais negativo em relação à taxa de câmbio brasileira, em meio ao conflito político interno.

O Goldman Sachs excluiu o real de uma lista de moedas em que os rendimentos mais atrativos podem beneficiá-las de maneira mais decisiva. Rublo russo, rupia indiana e peso mexicano são favoritos.

"Por outro lado, ficamos menos construtivos com o real. Seu elevado beta cíclico deve se mostrar menos favorável em uma recuperação (econômica) mais contida, e a volatilidade tende a aumentar à medida que nos encaminhamos para um ano eleitoral", disseram estrategistas do banco em nota.

No documento, eles passaram a ver dólar mais alto em três meses (5,10 reais), seis meses (5,00 reais) e 12 meses (4,95 reais). Antes, as projeções estavam em 4,70 reais, 4,65 reais e 4,60 reais, respectivamente.

Sobre atividade econômica mais fraca, o JPMorgan piorou sua perspectiva para o crescimento da economia brasileira neste ano e no próximo e agora vê expansão em 2022 de apenas 0,9%.

O Morgan Stanley avaliou que o real continua sendo a moeda preferida para venda dentro de seu portfólio de divisas emergentes.

"A elevada inflação continua sendo um obstáculo para o 'carry' (retorno em taxa de juros oferecido pelos investimentos na moeda brasileira), conforme os juros reais seguem em patamares muito baixos", disseram estrategistas do banco em relatório, no qual citam que o real é a terceira moeda mais cara no universo emergente.

Sinal da aversão de investidores estrangeiros à volatilidade da moeda brasileira, especuladores venderam contratos de real na Bolsa Mercantil de Chicago no ritmo mais forte em sete meses na semana finda no tão falado 7 de setembro, com a aposta favorável à moeda brasileira caindo ao menor patamar em três meses.

Na terça, o mercado se volta para dados de inflação ao consumidor nos EUA referentes a agosto, em busca de pistas sobre quando o banco central norte-americano pode anunciar um cronograma de corte de estímulos. O índice do dólar no exterior rondava estabilidade no fim desta tarde.

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