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Dólar cai abaixo de R$ 5,10 com mercado à espera de deflação nos EUA

***ARQUIVO*** São Paulo, SP, Brasil, 24-01-2019 - Cédulas de dólar. Papel Moeda. Dinheiro. (foto Gabriel Cabral/Folhapress)
***ARQUIVO*** São Paulo, SP, Brasil, 24-01-2019 - Cédulas de dólar. Papel Moeda. Dinheiro. (foto Gabriel Cabral/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A expectativa de desaceleração da inflação nos Estados Unidos contribuiu nesta segunda-feira (12) para mais um dia de ganhos do real sobre o dólar. Isso também favoreceu ações negociadas na Bolsa de Valores brasileira. Analistas esperam que o índice de preços ao consumidor americano, que será divulgado nesta terça (13), mostre deflação em agosto, na comparação com julho.

Completando três desvalorizações consecutivas, o dólar comercial à vista fechou em queda de 0,97% nesta segunda, cotado a R$ 5,0970 na venda.

Na Bolsa de Valores, o Ibovespa subiu 0,98%, aos 113.406 pontos. É o terceiro avanço consecutivo do índice parâmetro do mercado acionário doméstico, que já ganhou 3,32% desde o fechamento na última terça-feira (6).

O indicador de referência para as ações no Brasil acompanhou o movimento no exterior. O S&P 500, parâmetro para a Bolsa de Nova York, subiu 1,06%. É a quarta alta consecutiva do índice, que acumula elevação de 5,17% nesse intervalo.

Estimativa da agência Bloomberg construída sobre a opinião de analistas do mercado americano indica que haverá recuo de 0,1% na inflação de agosto no país. A pesquisa também mostra que esses especialistas consideram que a alta nos preços acumulada em 12 meses irá ceder de 8,5% para 8,1%.

"Predomina agora no mercado a narrativa de um pouso suave da economia americana", comenta Daniel Miraglia, economista-chefe do Integral Group.

Pouso suave tem sido um termo recorrente entre especialistas para descrever o melhor cenário para o desaquecimento da economia dos Estados Unidos.

Quase tão importante quanto os números da economia, a narrativa que participantes do mercado constroem a partir desses dados tem forte impacto nos ativos, ao menos no curto prazo. E a história que o mercado enxerga neste momento é sobre uma queda moderada da inflação, que afasta o risco de uma alta tão agressiva dos juros que seja capaz de empurrar o país e o mundo para uma profunda recessão.

Se o índice de preços vier fraco o suficiente, ou mais fraco do que o esperado, o mercado de ações provavelmente dará continuidade ao movimento de alta nesta semana, segundo Ipek Ozkardeskaya, analista sênior no Swissquote Bank.

"Se, no entanto, os dados não forem tão suaves quanto o esperado, ou pior, se virmos um número mais alto do que a leitura do mês passado, os ganhos da semana passada em ações provavelmente serão devolvidos rapidamente", afirmou em comentário enviado a clientes.

Na semana passada, o dólar comercial à vista caiu 0,77%. A valorização de matérias-primas e de ações de empresas ligadas à exportação desses produtos, sobretudo nos setores relacionadas à produção de metais, favoreceu a queda da taxa câmbio ao atrair dólares de investidores estrangeiros para o país.

Na sexta, os contratos futuros de minério de ferro nas Bolsas de Dalian e Cingapura registraram seus maiores ganhos semanais em seis semanas.

Além de dar sinais de que pretende adotar uma política monetária com foco no aquecimento da economia, a China anunciou medidas para estimular o investimento, como em novos projetos de infraestrutura.

O apoio intensificado da China a um mercado imobiliário em dificuldades deu sustentação a commodities ferrosas.

Na quarta-feira (7), dados fracos da balança comercial da China tinham provocado fortes baixas nos preços de matérias-primas e nas ações de exportadores. O principal destaque foi o recuo do petróleo a valores anteriores aos praticados antes do início da Guerra da Ucrânia.

Desde quarta, porém, o barril do petróleo Brent já avançou três vezes. No encerramento desta tarde de segunda, subia 1,57%, aos US$ 94,30 (R$ 482,59).

A perspectiva de mais estímulos econômicos na China também é responsável pela recuperação da matéria-prima. O país é o maior consumidor global de petróleo.