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Dólar cai abaixo de R$ 5,60 com exterior e melhora nas negociações do Renda Cidadã

Marcelo Osakabe
·2 minutos de leitura

A combinação de um ambiente mais propício para a tomada de risco no exterior e sinais de uma melhora da coordenação política a respeito do Renda Cidadã ajudou o real a ter o melhor desempenho entre as 33 divisas mais negociadas do mundo nesta segunda-feira. No encerramento da sessão, a moeda americana encerrou em baixa de 1,78%, a R$ 5,5678. Esta é a primeira vez que o dólar encerra abaixo de R$ 5,60 desde o dia 25 de setembro. Não por acaso, foi na última sessão antes de o governo revelar sua proposta para financiar o Renda Cidadã, que envolvia tomar recursos destinados ao Fundeb e ao pagamento de precatórios. Lá fora, o principal motor da melhora no exterior são as expectativas por uma nova rodada de estímulos fiscais nos Estados após o presidente Donald Trump ter contraído a Covid-19. No fim de semana, ele declarou no Twitter que espera por um desfecho positivo para o assunto. Houve também alguma reação ao ISM de serviços de setembro, que avançou mais do que o esperado na comparação com agosto, e também ao próprio anúncio de que o republicano deve deixar o hospital ainda hoje. O gatilho para o real descolar dos pares, no entanto, foram as declarações do relator da PEC dos Gatilhos, Marcio Bittar (MDB-AC). O parlamentar afirmou que está estudando apresentar uma nova proposta para o financiamento do Renda Brasil na quarta-feira de manhã. "Tudo precisa passar o pelo crivo de Guedes", assegurou Bittar, que na semana passada ficou incomodado com as críticas do ministro à proposta de usar os precatórios. Bittar também minimizou o embate da semana passada. "Houve turbulência, é normal, são relações humanas. As coisas entraram no eixo de novo", disse. “A fala do Bittar dizendo que qualquer possível solução para o teto irá respeitar o teto ajudou a melhorar o clima, já era bem positivo por causa do exterior”, nota Vanei Nagem, diretor de câmbio da Terra Investimentos. Para a Tullett Prebon, no entanto, é preciso observar se a melhora no tom das declarações em Brasília trará mudança concreta de atitude. "Fica difícil enxergar um robusto desfecho positivo sem Guedes liderar o processo e nem definições claras de onde virá o Renda Brasil", diz a corretora em relatório. iStock