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Dólar cai 1% com otimismo externo em penúltima sessão do ano

José de Castro
·2 minuto de leitura
Notas de real e dólar fotografadas em São Paulo (SP)

Por José de Castro

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou em queda de mais de 1% ante o real nesta terça-feira, mais do que devolvendo a alta da véspera, pressionado pelo otimismo global sobre mais estímulos em meio a expectativas de reabertura econômica diante do início de campanhas de vacinação em vários países.

O dólar à vista caiu 1,10%, a 5,1827 reais na venda, depois de subir 0,66% na segunda-feira. A moeda oscilou nesta terça entre 5,248 reais (+0,14%) e 5,1652 reais (-1,44%).

O dólar caía ante 27 de 33 de seus principais rivais, com o real liderando o desempenho positivo na sessão.

O índice do dólar --que mede o desempenho da divisa norte-americana contra seis pares-- perdia 0,28% no fim da tarde, não distante das mínimas em mais de dois anos e meio atingidas menos de duas semanas atrás.

Investidores voltaram as atenções para Washington, em busca de sinais de que um pacote de estímulo aumentado será aprovado pelo Senado norte-americano.

A massiva liquidez injetada por governos e bancos centrais globais e a expectativa de mais estímulos no governo de Joe Biden a partir de 2021 ajudaram a deflagrar um rali de ativos de risco desde o começo de novembro. O real avança 11,2% desde então, enquanto um índice de moedas emergentes ganha 3,3%.

Ainda assim, o real ainda amarga o segundo pior desempenho global em 2020, com queda nominal ante o dólar de 22,57%, à frente apenas do combalido peso argentino, que recua 28%. A moeda brasileira foi pressionada neste ano pela queda dos juros e, sobretudo, pelas incertezas de ordem fiscal, num ano de fortes gastos para combate à pandemia.

Veja a variação nominal das moedas em relação ao dólar em 2020. Os números são da Refinitiv.

"A falta de empenho e coesão da base aliada do governo na Câmara com relação à agenda fiscalista mostrou como o início dos trabalhos no ano que vem ameaça incrementar o risco de descumprimento do teto de gastos", disse Victor Beyruti, economista da Guide Investimentos.

Várias medidas indicam que o real segue em forte desalinhamento em relação ao que seria seu valor "justo". E, segundo analistas, esse "gap" deverá persistir em 2021, ainda que eventualmente em menor nível.