Dólar cai 0,30% em dia de baixa volatilidade

O retorno do carnaval no Brasil, com os mercados funcionando apenas à tarde, foi marcado pela baixa liquidez e pela volatilidade reduzida. O fato de, nos dois primeiros dias da semana, as moedas negociadas no exterior não terem apresentado oscilações radicais diminuiu a necessidade de ajustes no País nesta quarta-feira. O viés de baixa para o dólar ante o real foi trazido pelo relatório Focus, divulgado mais cedo, que indicou alta das previsões para a inflação este ano. Mesmo assim, a moeda americana oscilou durante todo o tempo na faixa de R$ 1,96.

Ao fim da sessão, o dólar à vista indicava baixa de 0,30% no balcão e era cotado a R$ 1,9660. Na mínima do dia, a moeda atingiu R$ 1,9650 (-0,35%) e, na máxima, R$ 1,9690 (-0,15%). A volatilidade foi limitada, com uma diferença entre a mínima e a máxima de apenas R$ 0,004. Às 17h (horário de Brasília), a clearing de câmbio da BM&F registrava giro financeiro de US$ 1,547 bilhão, sendo US$ 1,438 bilhão em D+2. O dólar pronto da BM&F registrou três negócios nesta quarta-feira e fechou a R$ 1,9655, em baixa de 0,22%. No mercado futuro, o dólar para março era cotado a R$ 1,9685, em baixa de 0,51%.

O dólar projetado para o fim do ano, conforme o relatório Focus, divulgado na manhã desta quarta, passou de R$ 2,05 para R$ 2,03. Para 2014, a mediana das estimativas foi de R$ 2,07 para R$ 2,05. Porém, foram as projeções para a inflação que influenciaram mais diretamente o movimento do dólar ante o real. A mediana estimada para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para 2013 foi de 5,68% para 5,71%, enquanto a previsão para 2014 permaneceu em 5,50%. Nas estimativas do grupo de analistas que mais acertam as projeções - o chamado Top 5 -, a previsão para o IPCA em 2013 no cenário de médio prazo subiu de 5,52% para 5,70%. Para 2014, a previsão dos cinco analistas passou de 5,80% para 6,50%, teto da meta de inflação.

Com a inflação mais salgada este ano, de acordo com os dados da Focus, o Banco Central pode ser levado a utilizar o câmbio para conter a alta de preços - o que trouxe um viés de baixa para a moeda americana ante o real. Apesar disso, profissionais lembraram que, na sexta-feira, o Banco Central fez um leilão de swap cambial reverso - equivalente à compra de dólares no mercado futuro -, o que ajudou a conter a baixa da moeda. Como o volume financeiro do leilão de sexta-feira foi de US$ 502 milhões, abaixo do total de US$ 1,850 bilhão originalmente oferecido, o Banco Central ficou com uma "carta na manga", podendo voltar a fazer leilões nos próximos dias se for necessário. "O BC ficou com aquela margem de atuação e pode ser que ele volte a atuar", comentou João Paulo de Gracia Corrêa, gerente de câmbio da Correparti Corretora, de Curitiba.

No exterior, o dólar registrava movimentos mistos em relação a outras divisas. Os investidores seguem monitorando as negociações entre líderes no âmbito do G-7 e do G-20. Na terça-feira (12), o grupo das sete economias mais ricas do planeta reafirmou o discurso de que as taxas de câmbio são determinadas pelo mercado. "Reafirmamos nosso compromisso de longa data com taxas de câmbio determinadas pelo mercado e com a análise estreita dos movimentos nos mercados de câmbio", disseram os países em comunicado. No próximo fim de semana, será a vez de os países do G-20 se reunirem na Rússia e a expectativa é de que a "guerra cambial" seja um dos principais assuntos.

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