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Dólar se aproxima de R$ 4,27 e BC faz nova intervenção

Marcelo Osakabe

Investidores seguem atentos a movimentos do BC e monitoram cena externa O dólar comercial estendeu a trajetória de alta nesta quarta-feira, influenciado por um comportamento mais amplo da moeda americana no exterior após dados melhores que o esperado dos Estados Unidos e também pelo ambiente conturbado da América Latina, que continua penalizando as divisas da região. Perto das 12h40, quando a moeda americana bateu máxima intradia de R$ 4,27, no entanto, o Banco Central (BC) voltou a anunciar uma intervenção no mercado à vista.

Com o anúncio do leilão, o dólar rapidamente desacelerou a alta e foi buscar o nível de R$ 4,24. Alguns minutos depois, no entanto, voltou a ganhar e, perto das 14 horas, operava em alta de 0,52%, aos R$ 4,2615.

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Diferentemente de terça-feira, quando o real era de longe a divisa com maior desvalorização do dia até o BC entrar no mercado, hoje o comportamento da moeda brasileira está em linha com o do exterior, onde o dólar sobe contra 27 das 33 divisas mais líquidas do mundo.

Desde o fim do pregão de ontem, o BC procurou se mostrar atento aos desenvolvimentos do câmbio. Hoje, foi a fez do diretor de política monetária, Bruno Serra, reiterar a mensagem dada ontem pelo presidente Roberto Campos Neto. "Se o mercado não funcionar adequadamente - seja com 'gap' ou falta de liquidez - vamos intervir de novo", disse o dirigente mais cedo, em evento em São Paulo.

Serra disse ainda que o BC não persegue um nível de câmbio e que as intervenções de ontem se deram porque se observou que o mercado não estava funcional, especulando em cima de "highlights e declarações, não necessariamente com fundamento".

Ainda assim, o fato de que a autoridade monetária ter entrado novamente em R$ 4,27, patamar que coincide com aquele em que foram anunciados os dois certames de ontem, o que passa a sensação de que esse pode ser um 'teto informal' para o dólar, diz um participante do mercado.

No exterior, a moeda americana se fortalece após a divulgação do desempenho da economia americana no terceiro trimestre, que cresceu 2,1% na base anualizada no terceiro, superando a expectativa de 1,9% dos economistas. Houve também surpresa para cima nos dados de encomendas de bens duráveis, que cresceram 0,6% em outubro, contra projeção de queda de 1%. Os indicadores contribuem com a ideia de que os EUA continuam com uma economia saudável, o que dá força à moeda americana.

Na terça-feira, o dólar começou o dia em R$ 4,21 mas rapidamente chegou a beirar os R$ 4,28, levando o BC a intervir duas vezes no mesmo dia.

Para alguns profissionais, o mercado pode continuar testando o BC mesmo após as declarações de representantes da autoridade monetária. Outros acreditam que a tendência é de acomodação, ainda que o viés de alta seja mantido por causa do contexto de fim de ano. "Lá fora, as bolsas se sustentam em alta por causa do otimismo com o desfecho da guerra comercial. Ainda assim, o dólar continua forte e o ouro se mantém em patamares elevados", diz Victor Beyruti, economista da Guide.