Mercado fechará em 5 hs

Dólar avança após atos golpistas em Brasília, e Bolsa passa a subir seguindo exterior

***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 24.01.2019 - Still de mãos segurando cédulas de dólar. (Foto: Gabriel Cabral/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 24.01.2019 - Still de mãos segurando cédulas de dólar. (Foto: Gabriel Cabral/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O dólar apresenta alta frente ao real na manhã desta segunda-feira (9), depois que apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro invadiram a sede dos Três Poderes em Brasília neste domingo (8), e a Bolsa passou a operar em alta pouco antes das 13h, apoiado por notícias mais positivas no exterior.

Para analistas, os próximos passos das autoridades para responder a violência vista na capital federal vai determinar se a cautela dos investidores vai se tornar só um susto do dia seguinte, ou se os riscos vão afastar ainda mais o capital da Bolsa brasileira, especialmente o estrangeiro.

Às 12h55 (horário de Brasília), o dólar à vista avançava 0,98%, a R$ 5,2880 na venda. No mesmo horário, o Ibovespa subia 0,38%, a 109.378 pontos.

Os juros apresentam alta, mas em ritmo menor neste início de tarde. Os contratos com vencimento em 2024 subiam de 13,61% ao ano no fechamento da última sexta-feira (6) para 13,67% às 13h. A taxa para 2025 avança de 12,90% para 12,97%. E para 2027, de 12,81% para 12,90%.

Lorena Laudares, analista política da Órama Investimentos, lembra que o investidor estrangeiro representa mais de 50% da movimentação diária da Bolsa, e a percepção de uma instabilidade institucional pode afastar esses investidores.

"Os rumos dos mercados nos próximos dias serão definidos pela capacidade das instituições de conseguir evitar novos atos de vandalismo, e também não permitir a adesão de categorias importantes, como os caminhoneiros", diz Laudares.

João Lucas Tonello, analista de Investimentos da Benndorf Research, explica que uma instabilidade política, com atos de violência ou conflitos, levam o investidor estrangeiro a ter uma reação imediata de retirada de seus recursos.

"Por outro lado, a aceleração de violência nas manifestações acabará dividindo o público indeciso, já que os apoiadores de atos violentos são minoria. Com as consequências destes atos, a tendência é de mais previsibilidade e menos incerteza ao longo do ano de 2023, trazendo cada vez menos impactos negativos", projeta Tonello.

Estrategistas do Itaú BBA apontaram efeito negativo nos ativos brasileiros, dado o aumento do prêmio de risco institucional, "mas com o tempo o impacto deve diminuir, já que o foco provavelmente retornará ao debate de política econômica", diz trecho relatório a clientes.

Dan Kawa, analista da TAG Investimentos, acredita que os eventos deste domingo são negativos para os dois lados do ambiente político polarizado no Brasil. "A esquerda seguirá com enorme desafio de se colocar neste "equilíbrio instável". A direita, vista como instigadora desses movimentos, irá sofrer as consequências jurídicas, criminais e políticas do evento."

Nesta segunda-feira, os presidentes dos Três Poderes divulgaram uma nota repudiando os atos golpistas e de vandalismo que ocorreram na véspera.

Em Nova York, o mercado reagem à expectativa de que o ritmo de aumento dos juros nos Estados Unidos deve diminuir, e à notícia de que China e Hong Kong retomaram as viagens sem quarentena no fim de semana, em mais um passo na direção da reabertura após a política de Covid Zero.

Os índices Dow Jones e S&P 500 têm avanços próximos de 1%, enquanto o Nasdaq sobe quase 2%. O barril do petróleo Brent avança quase 2,5%, a US$ 80,52 o barril.