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Dólar perde força ante real após abertura positiva em Wall St

Luana Maria Benedito
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Dólar avança ante real de olho em estímulo nos EUA

Por Luana Maria Benedito

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar abriu mão dos ganhos de mais cedo e operava com viés de queda ante o real nesta segunda-feira, conforme as vendas ganharam tração após a abertura dos mercados em Nova York, onde as bolsas de valores bateram novos recordes apoiadas em esperanças de estímulos.

Às 11:45, o dólar recuava 0,27%, a 5,3705 reais na venda. A moeda oscilou entre alta de 0,69%, a 5,4218 reais, às 9h26, e queda de 0,49%, para 5,3586 reais, às 11h41.

No exterior, o índice do dólar, que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de divisas de países desenvolvidos, caía 0,07%, depois de subir 0,25% na máxima. A expectativa de aprovação nos Estados Unidos do pacote de ajuda de 1,9 trilhão de dólares do presidente Joe Biden direcionava os mercados internacionais.

Além de "esperanças de que o governo dos Estados Unidos consiga aprovar um novo pacote fiscal (...) para combater os efeitos da pandemia do coronavírus", Guilherme Esquelbek, da Correparti Corretora, atribuiu o clima no exterior ao "crescente otimismo sobre a recuperação da economia global" em nota matinal.

Números desta manhã mostraram que o setor industrial da Alemanha evitou contração em dezembro apesar dos lockdowns devido ao coronavírus no país e no exterior uma vez que a demanda forte da China ajudou a maior economia da Europa a enfrentar a pandemia de Covid-19.

"Lá fora o dólar ganha de seus pares e das moedas emergentes e ligadas as commodities, depois de cair fortemente na sexta-feira em reação a dados fracos de criação de empregos nos Estados Unidos", continuou Esquelbek.

Dados da semana passada mostraram que a criação de vagas de trabalho nos Estados Unidos ficou abaixo do esperado em janeiro, enquanto as perdas de emprego no mês anterior foram mais profundas do que se pensava inicialmente, fortalecendo o argumento a favor de alívio adicional por parte do governo.

Enquanto isso, no Brasil, a atenção ficava nas discussões em torno de mais medidas de auxílio emergencial, em meio a persistentes incertezas fiscais.

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), voltou a defender a necessidade de se buscar um formato de assistência social aos mais atingidos pela crise do coronavírus e, ainda assim, respeitar o teto de gastos.

Em meio a esses ruídos, os investidores seguem à espera de avanços concretos em direção ao aperto dos gastos no país, já que os níveis recordes da dívida pública têm sido motivo de preocupação, enquanto torcem pela retomada da agenda de reformas estruturais do governo.

"As perspectivas existentes em torno da nova ação assertiva do Congresso, com foco na tramitação das matérias extremamente relevantes que estavam represadas, não ensejam perspectivas de soluções no curto prazo do que seja fundamental e essencial", opinou em nota Sidnei Nehme, economista e diretor-executivo da NGO Corretora. "Há, portanto, risco latente de agravamento da situação fiscal."

A notícia de que o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), participará de reunião com o ministro da Economia, Paulo Guedes, e com o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, para tratar da autonomia do BC também entrava no radar.

Lira disse no Twitter nesta manhã que encaminhará a reforma administrativa à Comissão de Constituição e Justiça da Casa na terça-feira.

Na última sessão, a divisa norte-americana spot teve queda de 1,19%, a 5,3849 reais na venda.