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Dólar avança ante real com temores sobre economia dos EUA em dia de formação da Ptax

Por Luana Maria Benedito

Por Luana Maria Benedito

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar ampliava a alta contra o real nesta sexta-feira, devolvendo as perdas registradas no pregão anterior em meio a temores sobre a saúde da economia dos Estados Unidos.

Enquanto isso, no contexto doméstico, a briga pela Ptax de fim de mês levantava expectativa de volatilidade entre analistas do mercado.

Às 10:31, o dólar avançava 0,86%, a 5,2034 reais na venda. Na B3, o dólar futuro avançava 0,81%, a 5,195 reais.

Nesta sexta-feira, chega ao fim o prazo de um pacote de auxílio nos Estados Unidos, e a demora das autoridades em apresentar uma alternativa para apoiar a renda dos consumidores levantava preocupações sobre a saúde da maior economia do mundo.

Os benefícios que expiram nesta sexta incluem pagamentos de 600 dólares por semana a dezenas de milhões de norte-americanos que ficaram sem trabalho por causa da pandemia. Em meio a um ressurgimento de casos de coronavírus nos EUA, líder global em número de infecções, a possibilidade de reimposição de medidas de contenção ameaça a perda de ainda mais empregos.

"É a história da Covid que é o cenário básico, além do lado da diplomacia dos Estados Unidos", disse à Reuters Álvaro Bandeira, economista-chefe do banco digital Modalmais. "Acho que é isso que acaba permeando o comportamento dos investidores."

No exterior, peso mexicano, rand sul-africano e dólar australiano, pares arriscados do real, operavam em queda contra a moeda norte-americana.

Enquanto isso, no Brasil, a última sexta-feira de julho traz consigo a formação da Ptax de fim de mês, o que pode causar volatilidade no câmbio.

"Hoje é fim de mês e desde o começo do dia já tem disputa sobre o fechamento da Ptax", disse Álvaro Bandeira. Segundo ele, num contexto recente de fraqueza do dólar no exterior, existe a possibilidade de esse comportamento da moeda se repetir no Brasil.

A moeda norte-americana caiu quase 5% em julho contra uma cesta de pares fortes, seu pior desempenho em anos, refletindo a incerteza sanitária, política e econômica nos Estados Unidos.

Por outro lado, Jefferson Rugik, da Correparti Corretora, escreveu sobre a briga da Ptax que "este jogo é um clássico, não tem favoritos, mas parece que os comprados estão mais bem treinados".

Na véspera, o dólar à vista havia registrado queda de 0,26%, a 5,1591 reais na venda.

Até agora, no ano, o dólar acumula queda de quase 30% contra o real, impulsionado por um ambiente doméstico de juros muito baixos. Na próxima semana, o Comitê de Política Monetária do Banco Central volta a se reunir para discutir a taxa de juros, e boa parte dos mercados enxergam a possibilidade de mais um corte residual na Selic, à mínima histórica de 2,00%.


(Edição de Camila Moreira)