Dólar avança 0,34% sob influência de crise externa

O ambiente conturbado no exterior, em meio às preocupações com a situação fiscal nos Estados Unidos e com a Grécia, abriu espaço para a valorização do dólar ante boa parte das moedas nos mercados internacionais, incluindo o euro e o real. No Brasil, o dólar chegou a atingir R$ 2,0430 durante o dia - a maior cotação desde 5 de setembro - para depois fechar a R$ 2,0420, em alta de 0,34%. Profissionais do mercado disseram que, além do fator externo, a atual posição de bancos nos mercados spot (à vista) e futuro pode estar favorecendo os ganhos da moeda americana em relação ao real. Outros profissionais, por sua vez, citaram operações pontuais para que a moeda americana atingisse a máxima no início da tarde.

Na cotação mínima do dia, verificada no início desta quinta-feira, o dólar marcou R$ 2,0340. Na BM&F, a moeda à vista fechou em alta de 0,25%, a R$ 2,03970, com sete negócios. Às 16h54, o dólar para dezembro de 2012 estava cotado a R$ 2,0460, em alta de 0,22%.

A deterioração no exterior foi marcada pelas preocupações com o chamado "abismo fiscal" que pode atingir os Estados Unidos, caso o país não renove uma série de incentivos dados à economia até o fim de dezembro. Para piorar, o Fundo Monetário Internacional (FMI) afirmou que, mesmo se o abismo fiscal dos EUA for desfeito rapidamente, o dano sobre a economia pode ser substancial.

Na Europa, o Parlamento da Grécia aprovou ontem o pacote de austeridade necessário para receber nova ajuda financeira. Mas a notícia de que os ministros das Finanças da zona do euro devem adiar, até o fim do mês, uma decisão sobre a liberação de 31,5 bilhões de euros para os gregos ofuscou o otimismo. Para completar, o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, disse esperar que o crescimento na zona do euro continue fraco no restante deste ano e em 2013. Os comentários foram feitos após o BCE decidir, mais cedo, manter sua taxa básica de juros em 0,75% ao ano.

Estes fatores fizeram o dólar ganhar espaço ante outras moedas e os mercados de ações registrarem perdas ao redor do mundo. No Brasil, a tendência de alta do dólar pode ter sido influenciada por uma posição técnica favorável à alta. O economista Alfredo Barbutti, da BGC Liquidez Corretora, destacou que os bancos possuem, atualmente, posição vendida (de aposta na queda do dólar) tanto no mercado spot quanto no futuro, o que eleva o risco para as instituições. "Para reduzir este risco, ele vai para o futuro comprar dólar, reduzir esta posição vendida no futuro", comentou. "O fluxo nas duas últimas semanas empurrou os bancos, que estavam comprados, a ficarem vendidos em dólar. Houve saída de recursos que enxugou o dólar do mercado. Então, os bancos foram para uma situação de ter que comprar no futuro", acrescentou. "Tecnicamente, existe hoje um problema que você não tinha antes", afirmou.

De fato, os dados do fluxo cambial divulgados ontem pelo Banco Central mostraram que, pela primeira vez desde dezembro do ano passado, os bancos fecharam um mês com posição vendida no mercado à vista de câmbio. Ao mesmo tempo, no mercado futuro, os bancos seguiam ontem vendidos tanto em dólares quanto em cupom cambial (DDI). "Quando o banco passa a ficar vendido no spot também, ele vai comprar no futuro. E ele pode estar pressionando esta cotação", disse Barbutti.

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