Dólar atinge R$ 2,05 mas reduz alta no fechamento

O dólar à vista no balcão chegou a superar os R$ 2,05 no início da tarde desta terça-feira e acabou retornando para patamar inferior, em meio à percepção de que o Banco Central (BC) poderia agir para segurar as cotações, o que não ocorreu. O fluxo negativo de dólares determinou o viés de alta na maior parte do dia, mas perto do fechamento a relativa melhora externa fez o dólar encerrar a R$ 2,0440, em alta de 0,10%.

Na mínima do dia, vista na abertura, a moeda norte-americana marcou R$ 2,0410, em baixa de 0,05%. Na máxima, atingiu R$ 2,0510 (+0,44%), a maior cotação intraday desde 27 de dezembro último. No mês passado, a autoridade monetária fez várias intervenções no câmbio para conduzir a divisa para níveis mais baixos, considerados confortáveis para o controle de preços.

Agora, a preocupação com a inflação - verbalizada inclusive pelo Comitê de Política Monetária (Copom), no comunicado distribuído na semana passada - volta a influenciar o mercado de câmbio. Quando a moeda superou os R$ 2,05 um sinal de alerta acendeu nas mesas de operação. "Isso porque o mercado está trabalhando com a ideia de que o governo quer a moeda até o limite de R$ 2,05", comentou Miriam Tavares, diretora de câmbio da AGK. "Mas o BC não atuou, porque a moeda voltou a cair após superar este nível", completou.

Como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga na quarta-feira (24) o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15), analistas veem novas pressões de alta sobre o dólar, dependendo do resultado, com o mercado testando a disposição do BC para intervir. "Se o IPCA-15 vier muito alto, o mercado pode testar o BC", declarou Maurício Nakahodo, consultor de pesquisas econômicas do Banco de Tokyo-Mitsubishi UFJ.

Outro operador acredita, contudo, que o BC somente voltará a atuar se a cotação da moeda se aproximar dos R$ 2,10 ou houver variações abruptas. "A cotação de R$ 2,04 está boa para o governo. E se operar acima de R$ 2,05, ainda assim isso não justificaria uma atuação do BC", opinou.

Nesta sessão o volume de negócios também foi mais consistente, com a retomada do mercado norte-americano aos negócios. Às 17h20, a clearing de câmbio da BM&F registrava giro financeiro de US$ 2,030 bilhões. O dólar pronto da BM&F, com apenas três negócios, fechou em alta de 0,27%, a R$ 2,0480. No mercado futuro, o dólar com vencimento em fevereiro era cotado a R$ 2,0455, em alta de 0,05%.

Assim como ocorreu nas transações de balcão, o mercado futuro de dólar desacelerou os ganhos em função da melhora do cenário externo. O movimento foi motivado pela informação, dada pela Casa Branca, de que o presidente Barack Obama aprovaria o projeto para estender o teto da dívida dos EUA no curto prazo, caso seja aprovado no Congresso.

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