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BC atua para impedir escalada e dólar encerra semana em R$ 4,48

Marcelo Osakabe

Na semana, o avanço da moeda americana chegou a 2,01% As intervenções do Banco Central no mercado de câmbio em cada um dos últimos três pregões ajudaram a suavizar a alta do dólar no Brasil. Em uma semana onde o coronavírus finalmente se traduziu em forte aversão ao risco, a moeda brasileira teve uma depreciação apenas moderada se comparada aos pares emergentes.

Na reta final do pregão desta sexta-feira, o real e outras divisas comparáveis também receberam uma pequena ajuda por parte do Federal Reserve, que finalmente “piscou” e admitiu que pode cortar juros a depender da evolução da epidemia. Assim, a moeda americana encerrou praticamente estável, cotada a R$ 4,4809 (0,10%), nova máxima histórica de fechamento.

Durante o pregão, no momento de maior nervosismo, o dólar chegou a tocar R$ 4,5141.

Ibovespa cai 8,37% na semana; dólar avança 2,01%

Com o resultado de hoje, a moeda americana acumulou alta de 2,01% na semana contra o real, metade do avanço registrado frente a divisas como o peso mexicano (4,20%), o rublo russo (4,40%) e o rand sul-africano (4,00%).

”A melhora neste fim de sessão tem a ver com o aumento violento das expectativas em relação a cortes de juros pelo Fed”, diz Alejandro Ortiz, economista da Guide.

Em um comunicado não previsto publicado no fim da tarde, o presidente do BC americano, Jerome Powell, promoveu uma leve mudança na comunicação da instituição ao afirmar que, embora os fundamentos da economia dos EUA permaneçam sólidos, a epidemia do Covid-19 representa um risco crescente para a perspectiva e que o Fed “irá agir apropriadamente para dar suporte à economia”.

A declaração de Powell ocorreu quando os mercados já precificavam 100% de chance de ao menos um corte de juros já na reunião de março. Após a fala de Powell, as chances implícitas de um corte de 0,5 ponto porcentual subiram a 87,1%. Ontem, elas eram zero.

“Muitos respirarão aliviados ao finalmente ouvir esta notícia, especialmente dada as ameaças de mal funcionamento dos mercados”, escreveu em seu perfil no Twitter o conselheiro-chefe de economia da Allianz, Mohamed A. El-Erian. “O que eles não vão tirar do Fed é uma solução caso a economia tenha uma parada súbita.”

Internamente, permanece a dúvida sobre se o BC irá manter a postura de anunciar leilões pontuais de swap, como ocorreu ao longo desta semana, em especial após a mudança de sinalização do Fed, que pode acalmar os mercados. "De acordo com nossas estimativas, 98% da depreciação do real este mês foi causada por forças externas e apenas 2%, por fatores domésticos", nota o Mizuho em relatório semanal.

A piora do sentimento do investidor em todo o mundo continuou se refletindo sobre o spread do contrato de 5 anos de CDS, uma medida de risco-país. Esta tarde, ele marcava 138 pontos, de 128 pontos no início do dia. Este é o maior patamar desde 9 de outubro.

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