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Dólar deixa máximas, mas ainda fecha em alta com força da moeda no exterior

Nota de dólar

Por José de Castro

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar terminou em valorização frente ao real nesta quarta-feira, colado no movimento da moeda no exterior e em dia de ata do Fed, que não sinalizou explicitamente continuidade dos superaumentos de juros em curso pelo banco central dos Estados Unidos.

O dólar negociado no mercado interbancário subiu 0,54%, a 5,1682 reais.

Ainda assim, a cotação deixou a faixa em torno de 5,18 reais vista pouco antes da divulgação da ata do banco central norte-americano e tomou ainda mais distância do pico intradiário alcançado ainda pela manhã, de 5,215 reais, quando valorizou 1,45%.

Investidores começaram o dia já à espera das sinalizações que seriam emitidas pelo Federal Reserve no documento que detalhou a decisão em julho de subir a taxa de juro em mais 0,75 ponto percentual --ritmo incomumente alto para os padrões do banco central.

Segundo a ata, as autoridades de política monetária viram "poucas evidências" no fim do mês passado de que as pressões inflacionárias nos EUA estavam diminuindo, mas reconheceram que algumas partes da economia, principalmente a habitação, começaram a desacelerar sob o peso das condições de crédito mais apertadas, enquanto o mercado de trabalho permaneceu forte e o desemprego atingiu um nível mínimo quase recorde.

"Esse jogo de dados demonstra que o próprio banco central continua com um cenário de análise muito difícil", disse Gustavo Menezes, gestor macro da AZ Quest, chamando atenção para as recorrentes oscilações no mercado de dívida dos EUA.

"A gente colocou posições pequenas, não tão representativas, compradas em real e outras moedas emergentes e de mercados desenvolvidos contra o dólar. São posições táticas, para um horizonte de 30 dias, porque ainda há receio muito grande, lá fora o mercado está muito indefinido", acrescentou o gestor, para quem se trata de um primeiro nível de posição de dólar mais fraco a ser confirmado pelos próximos dados.

Lá fora, o índice do dólar frente a uma cesta de moedas subia 0,14%, recobrando forças depois de abandonar alta de 0,26% vista pouco antes da divulgação da ata do Fed e cair 0,09% na mínima posterior à publicação do documento.

"O que vai fazer a diferença em termos de banco central norte-americano é a próxima semana, quando haverá Jackson Hole. Lá, já com dados (de inflação e emprego) atualizados (as autoridades) podem comentar sobre os próximos passos", disse Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos, em referência ao famoso simpósio anual de banqueiros centrais organizado pelo Fed de Kansas City.

Por aqui, a atmosfera eleitoral é tema de conversas, mas com expectativa de intensificação apenas à frente. "Historicamente começa a ter afunilamento na corrida eleitoral beirando o primeiro turno. (...) Não ignoramos, analisamos diariamente, mas tentamos observar o espectro mais abrangente e tem muita coisa acontecendo fora eleição", disse Menezes, da AZ Quest, referindo-se ao cenário externo.

Fato é que o real voltou a ser a moeda emergente relevante mais volátil, depois que uma medida de incerteza em relação à lira turca caiu abaixo da atribuída à divisa brasileira, mostraram dados da Refinitiv. A volatilidade implícita nas opções de real para três meses --uma métrica do vaivém esperado para a taxa de câmbio no referido período-- estava em 21,8% ao ano, colada nas máximas desde meados de 2020.