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Dólar acelera queda e opera abaixo de R$5 com atenção a BCs

Por Luana Maria Benedito

Por Luana Maria Benedito

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar ampliava a queda contra o real nesta sexta-feira, chegando a ser negociado abaixo de 5 reais, em meio a medidas globais de estímulo econômico em resposta ao coronavírus e à percepção de um Banco Central mais ativo no mercado de câmbio.

Às 14:56, o dólar recuava 2,25%, a 4,9895 reais na venda, enquanto o dólar futuro cedia 1,93%, 5,0015 reais.

Na mínima do dia, o dólar spot foi a 4,9833 reais na venda, enquanto o futuro bateu 4,9840 reais.

Em todo o mundo, as autoridades corriam para fornecer apoio aos mercados, que nas últimas semanas foram assolados por uma onda de aversão a risco pelos temores de impacto econômico do coronavírus.

A Comissão Europeia disse nesta sexta-feira que está estudando a flexibilização das regras da dívida para os estados membros e a emissão de títulos comuns, enquanto o Senado dos EUA debate um pacote de mais de 1 trilhão de dólares que incluiria ajuda financeira direta para os norte-americanos. Ao mesmo tempo, fontes disseram à Reuters que a China deve liberar trilhões de iuanes em estímulo fiscal.

Ainda nesta sexta-feira, o Federal Reserve disse que vai continuar a oferecer 1 trilhão de dólares por dia em operações de recompra 'overnight' pelo resto do mês, numa tentativa de tentar amenizar a volatilidade e manter a normalidade nos mercados.

"Hoje, os mercados internacionais exibem certo otimismo em relação às medidas que estão sendo adotadas pelos governos no âmbito global", disse em nota Ricardo Gomes da Silva, superintendente da Correparti Corretora.

No exterior, moedas arriscadas tinham desempenho misto em relação à divisa norte-americana, com a divisa da Austrália liderando os ganhos e peso mexicano e lira turca caindo entre 0,2 e 0,5%. Enquanto isso, o índice do dólar frente a rivais fortes desacelerava a queda a cerca de 0,17%, para perto das máximas do dia, depois de ter caído acentuadamente pela manhã.

No cenário doméstico, neste pregão, o BC acolheu, entre 10h e 14h, propostas para operações compromissadas em moeda estrangeira, modalidade de operação anunciada antes pela autoridade monetária com o objetivo de garantir o bom funcionamento dos mercados.

"Registre-se que a última vez que a autoridade monetária realizou esse tipo de operação foi em 2008 quando da crise do subprime nos Estados Unidos", comentou Gomes da Silva. "Na prática, essas operações equivalem a 'repos', que também têm sido amplamente implementadas por outros bancos centrais, como consequência da crise."

Esta era a segunda sessão de queda do dólar, que fechou em baixa de 1,83% na quinta-feira, a 5,1041 reais na venda, maior desvalorização percentual diária desde 8 de outubro de 2018.

No entanto, a divisa norte-americana ainda acumulava alta de cerca de 3,8% na semana contra o real. No ano, os ganhos do dólar eram de cerca de 24% até esta sexta-feira.


(Edição de José de Castro)