Dólar abre com viés de baixa pressionado por inflação

O dólar no mercado à vista de balcão abriu nesta segunda-feira a R$ 2,030, estável. Até 9h48, a moeda spot atingiu uma mínima de R$ 2,0280, baixa de 0,10%, e uma máxima de R$ 2,0320, alta de 0,10%. No mercado futuro, nesse horário, o dólar para fevereiro de 2013 recuava 0,07%, a R$ 2,0320, após abrir em R$ 2,0310 (-0,12%).

Os agentes de câmbio estão atentos à valorização do dólar ante o euro e a moedas ligadas a commodities no exterior. Contudo, os fatores internos estão pesando mais nas decisões de negócios. Destacam-se os novos indicadores domésticos apontando inflação em alta no País, a aceleração das projeções para o IPCA em 2013 na Pesquisa Focus e a perspectiva de definição da taxa Ptax de fim de mês, nesta quinta-feira.

Como os bancos e investidores estão vendidos em dólar, desde a semana passada esses agentes estão sendo bem-sucedidos na estratégia diária de enfraquecer gradativamente a Ptax de fim de mês. Essa taxa já recuou nas três sessões anteriores, acumulando baixa de 0,89% no período. A Ptax de sexta-feira ficou em R$ 2,0285 (-0,29%).

Neste fim de mês, os bancos e os investidores estrangeiros detêm posições vendidas líquidas em derivativos cambiais (cupom cambial e dólar futuro), num total de cerca de US$ 11 bilhões, e devem pressionar o dólar para baixo, enquanto os fundos de investimentos que estão comprados e tentarão puxar o dólar para cima.

Na semana passada, segundo a fonte, já houve uma movimentação bem-sucedida desses players, que estão apostando na queda do dólar no mercado futuro, para enfraquecer antecipadamente a Ptax. Nas últimas três sessões, a taxa Ptax já terminou em queda, acumulada em 0,89% no período. Na sexta-feira, dia de poucos negócios por causa do feriado na cidade de São Paulo, a taxa ficou em R$ 2,0285 (-0,29%).

O objetivo desses agentes financeiros é o de enfraquecer gradualmente o dólar à vista a fim de que a última Ptax do mês fique o mais baixo possível de modo a maximizar os ganhos desses players por ocasião da liquidação de seus posições no dia 1º de fevereiro.

No âmbito da inflação interna, na manhã desta segunda-feira a Fipe informou que o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que mede a inflação da cidade de São Paulo, subiu 1,04% na terceira quadrissemana de janeiro, acima da alta de 0,96% na segunda leitura de janeiro e também do 0,82% na comparação com a terceira medição de dezembro. O resultado, de todo modo, ficou dentro do intervalo das previsões do mercado (de 0,97% a 1,10%), mas acima da mediana de 1,02%.

A Fundação Getúlio Vargas (FGV), por sua vez, anunciou que o Índice Nacional de Custos da Construção - Mercado (INCC-M) subiu 0,39% em janeiro, após uma alta de 0,29% em dezembro. Com isso, o índice acumula alta de 6,94% em 12 meses. O resultado ficou acima da estimativa do AE Projeções, que previa uma alta entre 0,15% e 0,37%.

Já na Pesquisa Focus, do Banco Central, o mercado elevou sua projeção para a inflação medida pelo IPCA este ano para 5,67%, de 5,65% na pesquisa anterior, enquanto a previsão para o crescimento do PIB do País diminuiu para 3,10%, de 3,19% anteriormente. Para a taxa de câmbio, a projeção para o final de 2013 recuou para uma mediana de R$ 2,07, ante R$ 2,08 na semana anterior. Para o fim de 2014, a medida de câmbio segue em R$ 2,09. A mediana das projeções para o câmbio dos analistas do Top 5 médio prazo para o fechamento de 2013 segue em R$ 2,05. Para 2014, recuou de R$ 2,10 para 2,07.

Na sexta-feira, em Davos, na Suíça, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, fez um prognóstico otimista sobre o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB). Tombini disse que o "crescimento virá, está vindo". Ele lembrou que o mercado financeiro já prevê expansão do PIB acima de 3% em 2013. Segundo ele, a estimativa do mercado é "factível". Em relação ao câmbio, a autoridade monetária avaliou que o Brasil está preparado para um eventual recrudescimento da chamada guerra cambial. Segundo ele, o País já "aprendeu a operar nesse ambiente". "Em 2011 e 2012, trabalhamos com grande liquidez internacional", disse durante debate sobre mercados emergentes no Fórum Econômico Mundial.

No exterior, o sentimento de que o pior da crise na zona do euro já passou segue sustentando o euro acima de US$ 1,34, enquanto no Japão os investidores acompanham a implementação de políticas mais agressivas de relaxamento monetário.

Em Nova York, às 9h45, o euro estava em US$ 1,3439, de US$ 1,3464 no fim da tarde de sexta-feira. O dólar recuava a 90,75 ienes, de 90,93 ienes. Já o dólar norte-americano subia ante o dólar australiano (+0,27%), o dólar canadense (+0,30%), o dólar chileno (+0,16%), a rupia indiana (+0,25%), o peso mexicano (+0,49%) e o dólar neozelandês (+0,94%).

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