Dólar abre em queda com marcação do governo sobre câmbio

Ciente de que o Banco Central brasileiro pretende baixar a cotação do dólar para garantir o controle da inflação e a permanência da taxa Selic nas mínimas históricas por um período suficientemente prolongado, o mercado doméstico de câmbio pode exibir alguma volatilidade ao longo do dia nesta terça-feira, mas a tendência é de baixa para o dólar. O ambiente de negócios favorável no exterior até o momento deve contribuir para isso. O dólar à vista abriu há pouco em queda de 0,14%, a R$ 2,0750.

No mercado futuro da BM&FBovespa, o dólar para janeiro de 2013 abriu em queda de 0,19%, a R$ 2,0790. Até 9h08, oscilou de R$ 2,0780 (-0,24%) a R$ 2,0810 (-0,10%).

O secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, disse na segunda-feira (09) à noite que o governo tem trabalhado para evitar um excesso de volatilidade no câmbio, mas reafirmou que não há um valor para o dólar: "Nossa política de longo prazo é de evitar uma valorização excessiva do dólar." Augustin afirmou também que, mesmo com o crescimento baixo, o Brasil fecha o ano com melhores condições de competitividade.

Essas declarações foram feitas após o diretor de Política Monetária, Aldo Mendes, afirmar durante o dia no Rio que "o dólar está acima" e que "há gordura na taxa". Além disso, na sexta-feira passada (07), após o dólar à vista fechar em alta a R$ 2,0870 (+0,38%), a autoridade monetária consultou os agentes do mercado para avaliar a demanda por dólar e pediu indicação de volumes e prazos, reafirmando sua disposição para garantir liquidez aos negócios.

Na Europa, a melhora das expectativas econômicas na Alemanha em dezembro ajuda a impulsionar o euro, enquanto o dólar mostra fraqueza neste primeiro dia da reunião de política monetária do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Federal Reserve. O índice ZEW de expectativas econômicas da Alemanha subiu para 6,9 em dezembro, de -15,7 em novembro - um resultado muito melhor do que o avanço para -11,3 previsto pelos analistas.

Em âmbito global, a expectativa dos agentes financeiros é se o Fomc dará na quarta-feira 912), ao final desse encontro, alguma pista sobre a possibilidade de o Fed lançar um novo programa de estímulos à economia dos Estados Unidos, o que poderia debilitar o dólar. Paralelamente, as negociações nos EUA sobre a melhor maneira de resolver o abismo fiscal estão atraindo a atenção dos investidores, após o Wall Street Journal publicar que as conversas sobre orçamento entre a Casa Branca e o presidente da Câmara dos Representantes, o republicano John Boehner, progrediram nos últimos dias.

No mercado doméstico, os atenções se voltam nesta terça-feira para o depoimento do presidente da autoridade monetária, Alexandre Tombini, em audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. São aguardados esclarecimentos sobre possíveis medidas do BC para queimar a "gordura" do câmbio e, desse modo, tentar assegurar que a inflação não extrapole o teto da meta, já que os recentes indicadores de inflação vieram mais altos do que o esperado, a exemplo da primeira prévia do IGP-M de dezembro, que ficou em +0,50%, e do IPCA de novembro, que subiu 0,60% - maior taxa desde abril de 2012, de 0,64% .

Para o gerente de câmbio da Correparti Corretora, de Curitiba, João Paulo de Gracia Correa, o mercado testou o BC ontem após a pesquisa de demanda de sexta-feira (07)elevando o dólar, mas os comentários de Aldo Mendes fizeram o mercado se retrair. Segundo ele, o governo está usando todas as suas armas para evitar a alta rápida do dólar, pelo menos em dezembro, por causa da concentração de saídas de recursos do País. O mercado está esperando que o BC faça leilões, se dólar voltar a subir acima de R$ 2,09, avalia Correa. "Pode ser anunciado um leilão pouco acima desse nível de preço, porque na sexta-feira quando o dólar atingiu esse patamar o BC anunciou que faria pesquisa de demanda para avaliar as condições do mercado", observou.

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