Dólar abre em queda com inflação interna pressionando

O mercado de câmbio doméstico começou a sessão desta quinta-feira dividido entre as notícias externas mais favoráveis nos EUA e na China e a cautela do Banco Central com a inflação no Brasil, destacada na ata da reunião do Copom na semana passada, divulgada mais cedo. O dólar à vista abriu a R$ 2,0360 (-0,10%) e, às 9h26, atingiu mínima de R$ 2,0340 (-0,20%). O recuo representa ainda um ajuste ao fechamento em valor mais baixo ontem do dólar futuro de fevereiro de 2013 ante o preço da moeda no balcão.

No mercado futuro, às 9h30, o dólar para fevereiro estava em R$ 2,0370 (-0,02%), após abrir em estabilidade (R$ 2,0375) e de oscilar de R$ 2,0360 (-0,07%) a R$ 2,0390 (+0,07%).

Por enquanto, a piora do balanço de riscos do Copom para a inflação no curto prazo, contida na ata, está pesando mais no mercado de câmbio do que a valorização do dólar ante o iene e as moedas correlacionadas com commodities no exterior.

Atento à inquietação nos mercados com a elevação persistente dos índices de preços no País, o presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, disse na quarta-feira no Fórum Econômico Mundial, em Davos, que a inflação em 12 meses vai reiniciar a convergência para a meta (cujo centro é 4,5%) no segundo semestre. Ele reconheceu também que o BC pode melhorar o seu desempenho na perseguição da meta.

Tombini afirmou ainda que o Brasil sabe lidar com a "guerra cambial". Ele destacou que, com as medidas tomadas pelo governo, a proporção de capital de curto e longo prazos que entra no País, que era de respectivamente de 70% e 30% em 2010 e no início de 2011, se inverteu.

Nas mesas de câmbio não há dúvidas de que a autoridade monetária continuará fazendo de tudo para impedir que o câmbio prejudique o cumprimento da meta de inflação. Por isso, segundo um operador de tesouraria de um banco, o dólar tende a continuar engessado na faixa de R$ 2,00 a R$ 2,05 - nível citado no cenário de referência do último relatório de inflação, divulgado pelo BC em dezembro.

Na quarta-feira, após o IBGE anunciar que o IPCA-15 de janeiro subiu 0,88%, acima do 0,69% de dezembro e também do esperado no mercado (de 0,71% A 0,86%), o dólar engatou movimento de baixa, ampliado no fim da sessão pela aprovação, pela Câmara dos Representantes dos EUA, do plano que eleva o teto da dívida do país até meados de maio. Agora, o projeto de lei segue para o Senado, onde o partido Democrata de Barack Obama é maioria, e, posteriormente, para a sanção presidencial. O plano dá tempo para que o governo Obama e o Congresso negociem um pacote orçamentário de longo prazo.

No exterior, o dólar sobe diante do iene e de moedas ligadas a commodities. A divisa dos EUA ainda ganha impulso do acordo sobre o teto da dívida, a ponto de neutralizar o impacto positivo que o aumento do Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) preliminar da China, medido pelo HSBC, poderia ter sobre as moedas correlacionadas com commodities.

O euro, por sua vez, se beneficia do superávit em conta corrente da zona do euro em novembro, de 14,8 bilhões de euros (US$ 19,7 bilhões), um recorde histórico, graças à expansão do superávit na balança comercial, segundo dados divulgados hoje pelo Banco Central Europeu (BCE). Analistas consultados pela Dow Jones esperavam para novembro um superávit muito menor, de 7 bilhões de euros. Em outubro, o superávit em conta corrente havia sido de 8 bilhões de euros.

Em Nova York, às 9h37, o euro estava em US$ 1,3328, de US$ 1,3319 no fim da tarde de ontem. O dólar avançava a 89,59 ienes, de 88,61 ienes na véspera. O dólar norte-americano subia ante o dólar australiano (+0,41%), o dólar canadense (+0,13%), a rupia indiana (+0,08%) e o dólar neozelandês (+0,13%).

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