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Dólar devolve perdas e toca R$5,70 com expectativas sobre Fed ofuscando Copom

·3 min de leitura
Notas de 100 dólares

Por Luana Maria Benedito

SÃO PAULO (Reuters) -O dólar devolveu completamente as perdas registradas mais cedo nesta segunda-feira, chegando a tocar 5,70 reais no pico da sessão, à medida que a possibilidade de aumentos antecipados de juros nos Estados Unidos ofuscava expectativas de investidores em torno da reunião de dois dias do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central desta semana, que se encerra na quarta.

A expectativa em pesquisa da Reuters é de que o BC eleve a taxa Selic, atualmente em 7,75% ao ano, em 1,50 ponto percentual.

Juros maiores num determinado país tendem a elevar a atratividade de sua moeda, uma vez que aumentam a rentabilidade de se investir no mercado de renda fixa local.

"A decisão sobre a alta de juros no Brasil já tem sido precificada em 1,5 (ponto percentual). Isso faz o investidor externo olhar de novo para o Brasil e trazer recursos", explicou Lucas Schroeder, diretor de operações da Câmbio Curitiba.

No entanto, disse ele, "a gente acaba tendo que disputar com os Estados Unidos".

Sua fala diz respeito a sinalizações recentes de várias autoridades do Federal Reserve (Fed) de que o banco central norte-americano está preparando o terreno para acelerar o ritmo de redução de seus estímulos e possivelmente antecipar aumentos de juros para 2022, o que poderia limitar o efeito do ciclo de alta da Selic sobre o mercado de câmbio doméstico.

O próprio chair do Fed, Jerome Powell, disse na semana passada que acredita ser apropriado discutir na próxima reunião do banco central o encerramento total de seu programa de compras de títulos alguns meses mais cedo do que o esperado, em meio a sinais de persistência da inflação alta nos EUA. Isso poderia abrir caminho para alta nos custos dos empréstimos.

"Competir com (aumentos de) juros nos Estados Unidos é difícil, porque investir lá é muito seguro; a maior economia do mundo não dá calote", disse Schroeder.

Às 10:11 (horário de Brasília), o dólar à vista avançava 0,19%, a 5,6895 reais na venda. Na máxima do dia, a moeda foi a 5,7000 reais, alta de 0,38%, depois de ter recuado 0,75% nos primeiros minutos de negociação, a 5,636 reais.

Na B3, às 10:11 (horário de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento subia 0,59%, a 5,7200 reais.

No exterior, o índice do dólar contra uma cesta de seis rivais fortes rondava estabilidade.

Investidores continuavam monitorando o noticiário em torno da recém-detectada variante Ômicron do coronavírus, já que ainda não há clareza sobre qual será seu impacto sanitário e econômico ao redor do mundo.

A moeda norte-americana à vista fechou o último pregão, na sexta-feira, em alta de 0,34%, a 5,6785 reais, máxima desde 13 de abril passado (5,7175 reais).

Nesta sessão, o Banco Central fará leilão de até 14 mil contratos de swap cambial tradicional --distribuídos entre os vencimentos 1° de junho de 2022 e 3 de outubro de 2022.

(Edição de José de Castro)

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