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Dólar recua com fluxo e após dado de inflação

Pessoa conta notas de dólares na sede do banco Korea Exchange em Seul

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar à vista operava em leve queda ante o real nesta terça-feira, após abertura em alta, enquanto agentes financeiros digeriam dado de inflação de janeiro pouco acima do esperado no Brasil e monitoravam o cenário externo.

Às 10:48 (de Brasília), o dólar à vista recuava 0,27%, a 5,1853 reais na venda.

Na B3, às 10:48 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento caía 0,48%, a 5,1920 reais.

As perdas do dólar localmente destoavam um pouco do desempenho da moeda norte-americana no exterior, ainda que ela tenho perdido força durante a manhã.

O dólar operava estável frente a uma cesta de divisas fortes e subia discretamente contra alguns dos principais pares do real, como o peso mexicano.

Analistas atribuíam parte da apreciação do real à entrada de recursos estrangeiros, em meio a um ambiente externo visto como mais favorável, já que há expectativa majoritária de nova redução no ritmo de alta de juros pelo Federal Reserve na semana que vem.

A divulgação de PMIs de indústria e serviços é destaque da sessão na agenda econômica externa.

"Vejo fluxo para a bolsa, isso já desde a última semana de dezembro", disse à Reuters o diretor de operações da FB Capital, Fernando Bergallo. "O mercado está mesmo ajustando expectativa em relação aos juros nos Estados Unidos", acrescentou ele. A expectativa de que o ciclo de alta de juros nos EUA esteja próximo ao fim tende a enfraquecer a moeda norte-americana.

Localmente, o índice de preços IPCA-15 registrou alta em janeiro de 0,55%, depois de ter subido 0,52% em dezembro, divulgou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) pela manhã. A expectativa em pesquisa da Reuters era de aumento de 0,52% no mês.

O Goldman Sachs destacou dado acima do esperado, mas com o núcleo da inflação de serviços surpreendendo positivamente.

Ainda assim, a equipe do banco liderada por Alberto Ramos escreveu em relatório a clientes que "a dinâmica da inflação subjacente ainda é desafiadora, dadas as pressões ainda disseminadas sobre o núcleo e a inflação de serviços".

Segundo o banco, o pano de fundo é de aperto no mercado de trabalho, expectativa de deterioração do mix de políticas macro e micro e uma expansão fiscal considerável em 2023 -possivelmente até além deste ano-, bem como uma nova tendência ascendente das expectativas de inflação para o período de 2023 a 2025.

Na cena política, declarações envolvendo bancos estatais na véspera chamaram a atenção de alguns analistas, mas sem reflexos aparentes nos preços do câmbio.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse na véspera que a proposta de uma moeda comum para transações comerciais com a Argentina terá como um primeiro passo a implantação de um mecanismo de financiamento às exportações do país vizinho, o que envolveria financiamento pelo Banco do Brasil por meio de cartas de crédito. O ministro posteriormente negou que haja risco para o banco estatal.

Além disso, o presidente Luiz Inácio Lula disse a empresários em Buenos Aires, também na véspera, que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) voltará a financiar as relações comerciais do Brasil, assim como projetos de engenharia no exterior.

Na semana passada, declarações de Lula sobre possíveis mudanças no salário mínimo e no Imposto de Renda, e críticas suas à atual meta de inflação e à independência do Banco Central (BC), influenciaram no avanço do dólar.

Sobre as metas, Haddad disse a jornalistas na véspera que há confiança de que a inflação brasileira está convergindo para a meta e isso tem que ser observado pelo Conselho Monetário Nacional.

Lula participa nesta terça-feira de reunião da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), em Buenos Aires, onde ainda se encontra com o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, entre outros compromissos.

Na véspera, o dólar à vista fechou em queda de 0,18%, a 5,1993 reais na venda.

(Por André Romani)