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Real tem pior desempenho global na volta de feriado; reflação e fiscal pesam

José de Castro
·3 minuto de leitura
Notas de dólar

Por José de Castro

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar voltou do feriado bancário em firme alta, impondo ao real o posto de moeda com pior desempenho global nesta quarta-feira, com os negócios influenciados por um rali global da divisa norte-americana e por persistentes incertezas de ordem fiscal no Brasil.

A cotação negociada no mercado à vista subiu 0,77%, a 5,4154 reais na venda, depois de oscilar entre 5,4335 reais (+1,11%) e 5,3744 reais (+0,01%) ao longo do típico pregão encurtado de quarta-feira de cinzas.

Lá fora, o índice do dólar contra uma cesta de rivais de países ricos subia 0,25%, indo a máximas desde o começo da semana passada. Moedas de risco e/ou de países com juros baixos estavam entre as maiores quedas na sessão, com destaque para coroa norueguesa (-0,75%), franco suíço (-0,7%) e dólar da Nova Zelândia (-0,4%).

Os mercados vêm reagindo nos últimos dias ao tema reflação, num debate alimentado pela percepção de que o caminhão de estímulos monetários e fiscais pode em algum momento gerar pressões inflacionárias, o que eventualmente poderia levar o Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) a retirar parte do suporte concedido aos mercados para enfrentamento da crise causada pela pandemia.

O Fed divulgou nesta tarde a ata de sua última reunião de política monetária. No documento, o banco central reiterou sua tolerância com uma inflação acima de 2% pelo tempo necessário para que a média da inflação fique na meta com o tempo.

Dados mostraram nesta manhã que os preços ao produtor dos EUA avançaram em janeiro à maior taxa desde 2009, sugerindo que a inflação nas portas das fábricas está começando a subir. A inflação no Reino Unido também acelerou em janeiro.

Uma inflação mais alta tende a aumentar os rendimentos dos Treasuries, fortalecendo, assim, a atratividade do dólar perante rivais. A taxa do Treasury de dez anos, referência global para a renda fixa, bateu nesta sessão o maior patamar em um ano.

"A inflação e atividade no EUA tem surpreendido para cima. O fluxo que vimos em janeiro para emergentes podem começar a regressar para os países de origem com a abertura (dos yields) dos Treasuries. É um bom ponto para se observar", disse Alfredo Menezes, sócio-gestor na Armor Capital.

"Se o juros reais no mundo começarem a subir, com nosso fiscal poderemos entrar em uma espiral negativa. Nunca foi tão urgente (fazer) as reformas", completou.

Aqui, o cenário para as contas públicas e reformas segue sob os holofotes, em meio a riscos de que uma volta do auxílio emergencial ocorra de forma a ameaçar o teto de gastos --considerado a âncora fiscal do país neste momento. Além disso, investidores voltaram a colocar nos preços algum ruído sobre medidas do governo voltadas aos caminhoneiros.

Segundo a Guide, o presidente Jair Bolsonaro prometeu na véspera outra novidade que pode reduzir o preço do óleo diesel, com o governo também discutindo possíveis alterações que abrirão o caminho para mais benefícios sociais destinados aos caminhoneiros. Os mercados sentiram recentemente o impacto negativo de declarações semelhantes feitas pelo presidente.

"A atenção dada aos caminhoneiros é bem-vista pelo mercado por afastar a possibilidade de uma nova paralisação, mas parte dos investidores ainda teme que as tentativas do governo de agradar a categoria possa resultar em uma interferência na política de preços da Petrobras ou políticas que acentuem o endividamento público, apesar das declarações do presidente que negaram ambas as possibilidades", disse Victor Beyruti, economista da Guide.