Dólar abre em baixa após nova medida cambial

O mercado de câmbio doméstico abriu nesta quarta-feira, pelo segundo dia consecutivo, sob nova medida cambial do governo. Desta vez, o governo reduziu de 720 para até 360 dias as operações de empréstimos externos que são taxadas com alíquota de 6% de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). A reação dos agentes financeiros foi imediata. A pressão compradora de dólares teve um alívio, pelo menos por enquanto. A moeda norte-americana começou a sessão em queda em relação ao real. No exterior, o euro oscila perto da estabilidade, enquanto o dólar norte-americano exibe discreto viés de baixa em relação a moedas ligadas a commodities.

No mercado futuro, o contrato de dólar para janeiro de 2013 abriu a R$ 2,1135, com queda de0,70%. Até 9h35, esse vencimento que é o mais líquido oscilou de R$ 2,1110 (-0,82%) a R$ 2,1165 (-0,56%). Posteriormente, no mercado à vista, o dólar no balcão abriu também com sinal negativo, a R$ 2,1050 (-0,57%). Até 9h35, a mínima foi de R$ 2,1030 (-0,66%) e a máxima, de R$ 2,1080 (-0,43%).

"É mais uma medida e seu impacto efetivo sobre o fluxo cambial não é direto, mas tem potencial para aliviar a pressão tomadora por dólar. Isso mostra que o governo está revendo as medidas adotadas no primeiro semestre, quando havia farto fluxo de entrada de recursos no País", avaliou um experiente operador de tesouraria de um banco. Para este profissional, o dólar acima de R$ 2,100, aparentemente, não estaria nos planos do BC.

Na terça-feira (04), o Banco Central anunciou a ampliação para cinco anos do prazo para pagamento antecipado das exportações. Além disso, na segunda-feira, a autoridade monetária fez quatro leilões - dois de swap cambial (equivalente à venda de dólares no mercado futuro) e dois de venda de dólar à vista com recompra em 30 e 60 dias - gerando uma oferta potencial de cerca de US$ 8,5 bilhões, considerando ainda um vencimento remanescente de swap reverso para dezembro que não foi liquidado no dia 1º.

Embora o dólar tenha fechado em baixa na segunda-feira (03) e na terça-feira (04), sua cotação se manteve acima do patamar de R$ 2,110. Na terça-feira (04), o dólar à vista no balcão fechou cotado a R$ 2,1170, com queda de 0,09%. No mercado futuro, o contrato para janeiro de 2013, o mais líquido, encerrou em R$ 2,1285 (-0,16%).

"Esse conjunto de medidas pode influenciar um movimento contrário, de venda de dólares. Essa é a expectativa", disse a mesma fonte citada acima. Esse operador não está contando que o BC fará um leilão de venda direta de dólar à vista, como defenderam ontem alguns estrategistas do mercado. Para a fonte, é pequena a chance de o BC retirar também as restrições para operações com derivativos cambiais, que limitam a possibilidade de arbitragens e de especulação no mercado futuro.

No começo da tarde, às 12h30, O BC informará os dados sobre o fluxo cambial e a posição de câmbio dos bancos no fim de novembro. Os números vão mostrar se houve ou não piora do fluxo cambial na última semana do mês. O mercado sabe que nos dois últimos meses do ano aumenta a demanda por dólar, para hedge e remessas de lucros e dividendos corporativos ao exterior, e avalia que a pressão compradora de moeda poderá se manter aquecida neste fim de ano, podendo levar o fluxo cambial para o lado negativo.

No exterior, às 9h36, o euro operava a US$ 1,3092, de US$ 1,3095 no fim da tarde de ontem. A moeda europeia reage negativamente ao resultado ruim das vendas no varejo na zona do euro em outubro. Os indicadores sobre o setor de serviços na China ajudam a sustentar o sinal positivo entre as ações e as commodities, mas não está descartada volatilidade ao longo do dia. O dólar norte-americano recuava ante o dólar canadense (-0,05%), a rupia indiana (-0,22%) e o dólar neozelandês ((-0,18%).

Carregando...