Dólar abre em baixa influenciado por exterior

O superávit comercial da China acima do previsto em dezembro faz o dólar se desvalorizar no exterior e também influencia a abertura em baixa da moeda no mercado doméstico de câmbio. Os agentes financeiros iniciam a sessão ajustando ainda as cotações da moeda, uma vez que o dólar à vista terminou a quarta-feira (09) no patamar de R$ 2,03 enquanto o dólar futuro com maior liquidez encerrou acima do nível de R$ 2,04.

O dólar à vista abriu a R$ 2,0340, em baixa de 0,20%. A mínima, até o momento, é de R$ 2,0330 (-0,25%). No mercado futuro, às 9h25, o dólar para fevereiro de 2013 recuava 0,29%, a R$ 2,0415. Após abrir a R$ 2,040 (-0,37%), esse vencimento da moeda oscilou até o momento de uma mínima de R$ 2,0395 (-0,39%) a uma máxima, de R$ 2,0430 (-0,22%).

O dado chinês estimula o apetite dos investidores por aplicações financeiras e moedas consideradas mais arriscadas, como as de países emergentes exportadores de commodities. A razão é que as exportações chinesas cresceram a um ritmo bem superior ao esperado em dezembro. Isso indica que a segunda maior economia do mundo não deve ter uma desaceleração brusca e também confirma uma reação da economia global.

O superávit comercial da China aumentou para US$ 31,6 bilhões em dezembro de 2012, de US$ 19,6 bilhões em novembro. O resultado foi impulsionado pela alta de 14,1% nas exportações na comparação entre dezembro e o mesmo mês de 2011, bem mais do que a estimativa de expansão de 4,6% dos economistas. As importações, que subiram 6%, também superaram as projeções dos analistas (+3,3%)

Os investidores agora aguardam a divulgação, nesta quinta-feira à noite, dos números chineses relativos à base monetária, para o qual se espera aumento de 13,9% em dezembro. Também serão anunciados no país os índices de inflação ao produtor (previsão de -2,2% a.a.) e ao consumidor (previsão de alta de 2% a.a.), ambos referentes ao mês passado.

Na Europa, o euro também se beneficia desses resultados e ainda do bem-sucedido leilão de bônus da Espanha. Os investidores estão na expectativa agora pelas decisões de política monetária, que serão anunciadas em Frankfurt e em Londres, onde BCE e BoE estão reunidos. Quase ninguém do mercado prevê mudanças. Para a decisão do BCE, permanece a expectativa de que o juro seguirá no piso histórico de 0,75% por ano, mas mudanças podem acontecer em breve. Na Inglaterra, a taxa básica está em 0,50% ao ano.

Mais cedo, o Tesouro da Espanha vendeu hoje em leilão 5,82 bilhões de euros (US$ 7,61 bilhões) em bônus para 2015, 2018 e 2026, acima do máximo pretendido de 5 bilhões de euros, na primeira oferta de dívida do ano. O papel de dois anos é novo, mas o custo dos outros dois bônus caiu em relação a leilões anteriores. Após essa operação, a taxa de retorno (yield) yield dos bônus de 10 anos da Espanha estava em 4,99% - menor taxa desde março de 2012.

Em Nova York, às 9h26, o euro subia a US$ 1,3103, de US$ 1,3065 no fim da tarde de ontem. O dólar norte-americano caía 0,24% ante uma cesta de seis moedas fortes e também recuava ante o dólar australiano (-0,58%), o dólar canadense (-0,20%), a rupia indiana (-0,21%) e o dólar neozelandês (-0,50%).

No mercado doméstico, os agentes financeiros seguem atentos à inflação, que volta a pressionar toda a curva de juros futuros, mas ainda provoca pouco impacto sobre a formação de preço no mercado de câmbio. "Por enquanto, o mercado está fazendo ajustes pontuais no dólar", disse um operador de um banco.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 5,84% em 2012, acima do centro da meta estipulada pelo governo, de 4,5%. A taxa coincidiu com o teto das projeções dos analistas ouvidos pelo AE Projeções (de 5,68% a 5,84%). Em dezembro do ano passado, o índice subiu 0,79%, ante uma variação positiva de 0,60% em novembro. O resultado também ficou no teto do intervalo das estimativas, que iam de 0,64% a 0,79%. O dado impulsiona os juros porque eleva as preocupações com as pressões inflacionárias, advindas também do uso de uma energia mais cara das termoelétricas para garantir o abastecimento, por ao menos mais três meses. O assunto ainda chama a atenção, embora o temor de um racionamento de energia tenha sido afastado na quarta-feira (09) pelo governo.

Novas emissões corporativas no exterior também estão no radar. Na quarta-feira (09), o BTG Pactual abriu a safra de emissões externas brasileiras de 2013 com uma captação de US$ 1 bilhão em títulos de sete anos, com taxa de retorno de 4,125%. Dessa forma, aproveitou a janela aberta no mercado internacional neste início de ano, já usada por diversas empresas estrangeiras e países, inclusive emergentes. Espera-se que outras companhias nacionais anunciem emissões nos próximos dias. Uma delas é a Marfrig, que procura refinanciar débitos de curto prazo.

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