Dólar abre em alta com impasse sobre EUA

O dólar no mercado doméstico pode acompanhar a valorização da moeda norte-americana ante o euro e algumas moedas ligadas a commodities na abertura da sessão. O ajuste de alta, se persistir até o fim do dia, interromperá uma sequência de três quedas acumuladas em 1,62%. Os investidores globais reforçam hoje a demanda pela divisa dos EUA porque a votação do projeto para evitar o abismo fiscal nos Estados Unidos foi adiada nesta quinta-feira (19) para depois do Natal na Câmara dos Representantes. Às 9h25, o dólar à vista no balcão atingia máxima, a R$ 2,0770, alta de 0,73%.

No Brasil, a previsão de mais um leilão de venda de dólares conjugado com recompra em 01/03/2013 de até US$ 2 bilhões, das 9h30 às 9h35, pode limitar o avanço das cotações. A taxa de câmbio para venda por parte do BC será R$ 2,062500 (fechamento da Ptax de ontem). A taxa de corte da recompra será de 2,084450, ou valor mais favorável ao BC. Serão aceitas até três propostas por instituição. A venda será liquidada no dia 26/12/2012.

Com esta operação, que será a quinta oferta de linha consecutiva e a sétima feita neste mês, o BC ofertou ao mercado no total US$ 14 bilhões, embora o volume de dólares vendido efetivamente neste mês até o dia 14 tenha somado apenas US$ 1,066 bilhão. O BC também realizou no dia 3 duas ofertas de swap cambial - equivalentes à venda de dólares no mercado futuro.

O esforço do governo para evitar a desvalorização excessiva do real, em razão da maior demanda por dólares neste último mês do ano, contou ainda com medidas cambiais que desarmaram grande parte do arsenal adotado desde 2011 para conter o fluxo de capital especulativo ao País. Agora, resta apenas o IOF de 6% sobre as operações com derivativos cambiais. Ontem, a previsão no Relatório Trimestral de Inflação do BC de uma taxa de câmbio no cenário de referência do BC de R$ 2,05 por dólar reforçou ainda a percepção de que o espaço para valorização do dólar é limitado.

Reagindo a essas ações, o dólar caiu de R$ 2,1270 em 30 de novembro para R$ 2,0620 ontem, acumulando uma baixa de 3,06%.

Por conta disso e do impasse sobre a questão do abismo fiscal nos EUA, um operador de tesouraria de um banco ouvido pela AE avalia que o mercado pode fazer uma pauta, pontual, no movimento de baixa. Mas a fonte também não descarta alguma volatilidade do dólar ao longo da sessão, podendo até retomar o sinal de baixa.

Ontem, o dólar à vista no balcão fechou cotado a R$ 2,062, com queda de 0,43%, no menor nível desde 12 de novembro, quando a moeda havia ficado em R$ 2,052.

Em Nova York, às 8h55, o euro estava em US$ 1,3215, de US$ 1,3245 no fim da tarde de ontem. O dólar norte-americano subia ante o dólar australiano (+0,56%), o dólar canadense (+0,36%), a ruia indiana (+0,54%) e o dólar neozelandês (+1,23%.

Carregando...