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Dólar é contido no dia, mas acumula alta de 3,42% na semana

Valor

A ação do Banco Central no mercado de câmbio colaborou para o movimento de baixa Ajudado pela ação do Banco Central no câmbio e, mais tarde, por relatos de que a China pode começar a disponibilizar uma vacina contra o novo coronavírus já a partir do mês que vem, o dólar encerrou hoje uma sequência de doze pregões consecutivos de alta - a mais longa desde 1999. No encerramento dos negócios, a moeda americana era cotada a R$ 4,6343, queda de 0,36%.

O recuo, no entanto, não tira do real o posto de pior divisa de uma semana conturbada, em que mesmo a inclinação do Banco Central em conceder novos cortes de juros começou a ser questionada entre participantes de mercado. A moeda brasileira acumulou desvalorização de 3,31%, muito acima do rublo russo, o segundo colocado e que caiu 2,21% no período.

Mercados começam mês de março sob forte estresse

Segundo matéria do South China Morning Post, o diretor do Centro de Desenvolvimento e Pesquisa da Comissão Nacional de Saúde da China, Zheng Zhongwei, afirmou hoje haver a possibilidade que algumas vacinas possam entrar em estágio de uso clínico ou emergencial já em abril.

A notícia vinda da China ajudou a tirar pressão do câmbio em um dia em que o Banco Central dobrou o tamanho da intervenção que vinha fazendo no câmbio. Esta manhã, foram US$ 2 bilhões em contratos de swap cambial, que se somam aos US$ 3 bilhões ofertados ontem.

Como visto, no entanto, os leilões do BC apenas suavizaram o movimento da semana. “Em nossa visão, mesmo que as intervenções no câmbio estejam prevenindo que o real se desestabilize com a perspectiva de corte de juros, é incerto por quanto tempo essa estratégia pode ser efetiva”, dizem analistas do Citi. “A postura bastante agressiva da autoridade monetária em relação à sua política pode encontrar desafios mais à frente.”

De olho nessa dinâmica, participantes de mercado já ajustam suas posições. Segundo dados da B3, os estrangeiros elevaram a posição comprada na moeda americana - que ganha com a sua apreciação - em US$ 7,2 bilhões entre a última sexta-feira e ontem. Este é o maior montante para uma janela de quatro dias desde 5 de outubro de 2018, às vésperas da eleição presidencial.

Separadamente, segundo dados colhidos pelo J.P. Morgan no International Money Market (IMM), mostram que as posições especulativas contra a moeda brasileira atingiram US$ 8 bilhões.

Embora tenha revisado para baixo sua perspectiva para a Selic no final de 2020, o Itau vê risco caso a depreciação do câmbio se mantenha em ritmo acelerado. Embora a depreciação do real até o momento não tenha representado riscos significativos para o cumprimento das metas de inflação em 2020 e 2021, uma vez que as expectativas de inflação (de acordo com a pesquisa Focus) permaneceram ancoradas, entendemos que a velocidade recente da variação cambial deve diminuir a propensão a cortes acelerados da taxa Selic e que a magnitude da depreciação implica risco crescente de que o repasse cambial, até aqui limitado, passe a se manifestar com maior intensidade”, diz o banco em relatório.

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