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Dólar sobe após notícia sobre salário mínimo e decisão de IPI em pregão sem NY

Notas de dólares

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar à vista avançou nesta segunda-feira frente ao real, em sessão de menor liquidez devido a feriado nos Estados Unidos, diante de notícia de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia elevar o salário mínimo acima dos 1.320 reais prometidos pelo governo e de um cenário externo de maior cautela.

Além disso, agentes de mercado mencionaram declarações de autoridades do governo sobre a intenção de não aumentar o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). A meta, segundo o vice-presidente e ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Geraldo Alckmin, é extinguir o imposto.

O dólar à vista fechou em alta de 0,80%, a 5,1485 reais na venda. Na máxima do dia, a moeda norte-americana avançou 1,09% (5,1632) e, na mínima, caiu 0,28% (5,0929).

A moeda norte-americana mostrou pouca variação durante a manhã, operando em leve alta frente ao real, mas acentuou os ganhos no final da tarde após a notícia sobre o salário mínimo.

Lula avalia elevar o salário mínimo deste ano para acima dos 1.320 reais prometidos pelo governo, disse a Broadcast, agência do jornal O Estado de S.Paulo, citando técnicos da equipe econômica. O Ministério da Fazenda é contrário à proposta, e o valor final e a data de início de vigência ainda não foram definidos, segundo a reportagem.

Questionado pela Reuters, o Ministério da Fazenda afirmou que a posição da pasta sobre o salário mínimo foi externada pelo ministro Fernando Haddad em entrevista à imprensa na semana passada. Na ocasião, Haddad indicou que o salário mínimo neste ano ficará em 1.302 reais, como proposto pelo governo anterior e que já está em vigor, sem aumento adicional. O ministro argumentou que o valor já representa um ganho de 1,4% acima da inflação e atende a promessa de Lula de conceder reajustes reais anuais ao mínimo.

"O ponto é mais a sinalização do que apenas o aumento pontual que está sendo falado", disse à Reuters o superintendente de tesouraria comercial do Banco Daycoval, Marcelo Sanches. "Da mesma maneira que o governo recuou em algumas pautas agressivas ou polêmicas, acho que há espaço para voltar atrás nessa", acrescentou ele, observando que a menor liquidez na sessão pode ter tornado a reação à notícia mais aguda.

Ainda no panorama local, a declaração de Alckmin mais cedo sobre o IPI a uma plateia de empresários da indústria também ganhou a atenção dos investidores. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse a jornalistas no final da tarde, direto do Fórum Econômico Mundial, em Davos, que a decisão de não elevar o tributo visa sinalizar à indústria que o governo pretende avançar com a reforma tributária.

Segundo Sanches, as duas notícias, sobre salário mínimo e IPI, fizeram "a percepção fiscal piorar e foi isso que fez preço". Esses desenrolares ocorrem após Haddad apresentar, na semana passada, um pacote de medidas econômicas, cuja iniciativa foi bem vista no mercado, mas com planos avaliados como de curto prazo e com foco no aumento de receitas e não no corte de despesas, segundo agentes de mercado.

Sanches disse, porém, que apesar do movimento nesta segunda-feira, a pauta externa segue sendo mais importante para formação de preço do que a interna.

O dólar acumula queda de 2,45% frente ao real no início deste ano, com analistas mencionando forte entrada de recursos de investidores estrangeiros, à medida que as commodities avançam e aumenta a percepção no mercado de que o Federal Reserve adotará uma postura menos agressiva quanto aos juros, com a inflação nos EUA mostrando sinais de arrefecimento.

Nesta segunda-feira, o dólar exibia alta de cerca de 0,1% ante uma cesta de moedas fortes.

"No âmbito internacional, o recuo nos preços das commodities --por exemplo, minério de ferro--... e o feriado nos EUA são os principais fatores", disse Adriano Ribeiro, economista sênior do Banco ABC Brasil, em referência aos impactos no câmbio local na sessão.

No mais, voltando ao Brasil, analistas consultados pelo Banco Central passaram a ver menor afrouxamento monetário neste ano em meio a expectativas mais elevadas para a inflação, segundo a pesquisa Focus divulgada pela manhã.

(Por André Romani)