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Dólar recua com acenos do governo ao fiscal e repreensão a ataques em Brasília

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Por Luana Maria Benedito

SÃO PAULO (Reuters) -O dólar firmou perdas na parte da tarde e encerrou esta quarta-feira abaixo dos 5,20 reais, com investidores reagindo bem a acenos da ala econômica do governo à responsabilidade fiscal e ainda repercutindo a resposta forte das autoridades brasileiras a ataques antidemocráticos em Brasília.

No mercado à vista, o dólar caiu 0,40%, a 5,1813 reais na venda, renovando mínima para encerramento desde 23 de dezembro (5,1655), depois de na véspera já ter recuado mais de 1%.

A moeda, que trocou de sinal várias vezes ao longo da manhã, começou registrar perdas mais acentuadas por volta de 14h30 da tarde, pouco depois do anúncio pela ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, de que o economista Gustavo Guimarães, que foi secretário do ex-ministro Paulo Guedes no Ministério da Economia, será seu número 2 na pasta.

Além disso, Tebet disse nesta quarta-feira que o Planejamento será a "pasta dos 'nãos'", que barrará medidas do governo que violem a Lei de Responsabilidade Fiscal.

"O mercado recebeu super bem essa informação, foi responsável por essa queda do dólar na parte da tarde", disse à Reuters Alexandre Viotto, head de banking da EQI Investimentos.

Segundo agentes financeiros, a presença de autoridades vistas como mais fiscalmente conservadoras do que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na equipe econômica do governo --bem como comentários alinhados à responsabilidade na administração das contas públicas por parte dos ministros--, é um alento para os mercados.

"Mas a gente vai monitorar para ver até que ponto a ala econômica do governo tem autonomia para poder tocar essa parte sem ingerência da parte política, como do presidente (Lula)", ponderou Viotto.

Para além do anúncio de Tebet, "algo que ajudou bastante nessa melhora do preço dos ativos brasileiros, por incrível que pareça, foi o que aconteceu no final de semana em Brasília", disse o especialista, argumentando que a forte reação das instituições democráticas brasileiras aos ataques bolsonaristas às sedes dos Três Poderes no domingo ajudou a consolidar entre os investidores estrangeiros a percepção de "um nível de governança muito bom" no Brasil.

Soma-se a isso o grande diferencial de juros entre Brasil e outras economias, completou Viotto. A taxa Selic está atualmente em 13,75%, patamar elevado que torna o real atraente para estratégias de "carry trade", que consistem na tomada de empréstimo em país de juro baixo e aplicação desses recursos em mercado mais rentável.

No exterior, o índice do dólar contra uma cesta de moedas rondava a estabilidade, com investidores à espera da divulgação, na quinta-feira, de dados de inflação norte-americanos. A expectativa no mercado é de que os números mostrarão desaceleração no aumento dos preços, o que alimentaria apostas num abrandamento do ciclo de aperto monetário do Federal Reserve.

No entanto, uma leitura acima do esperado teria o efeito oposto e provavelmente impulsionaria a divisa dos Estados Unidos contra a maioria de seus pares, uma vez que custos de empréstimo mais altos por lá costumam atrair recursos para a maior economia do mundo.

"O cenário global tem sido menos desfavorável para o real, já que os preços das commodities permanecem praticamente estáveis ​​e o dólar, mais fraco", disse o Citi em relatório nesta quarta-feira. No entanto, banco norte-americano ponderou que a incerteza do cenário doméstico está crescendo gradativamente, em meio à falta de detalhes da equipe econômica sobre qual será a nova âncora fiscal do Brasil.

"Detalhes futuros podem reduzir a incerteza, mas a flexibilização fiscal recentemente aprovada pode dificultar uma potencial valorização do real."

(Edição de André Romani)