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Dívida pública passa de R$ 4,7 trilhões com prazo menor, mas custo cede em novembro

FÁBIO PUPO
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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A dívida pública federal aumentou 3,22% na passagem de outubro para novembro, alcançando R$ 4,78 trilhões. Apesar do aumento, o custo médio foi reduzido pelo maior otimismo de investidores em meio às notícias sobre o avanço das vacinas contra a Covid-19 e o resultado das eleições presidenciais nos Estados Unidos. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (23) pelo Tesouro Nacional. "As notícias positivas de vacinas contra a Covid-19 e os resultados das eleições norte-americanas contribuíram para melhorar a percepção dos mercados no mês de novembro", afirmam os técnicos em relatório. O CDS (Credit Default Swap, indicador de risco) do Brasil registrou queda de 23,9% no mês, para 166 pontos. O número ainda ficou acima de pares internacionais acompanhados pelo Tesouro como Chile (50), Peru (63), México (88) e Colômbia (89). Com isso, o custo médio nos últimos 12 meses caiu de 9,04% ao ano em outubro para 8,4% em novembro. A redução das taxas foi concentrada no cenário de curto prazo, já que a chamada curva de juros ganhou inclinação (ou seja, ficou mais caro para o governo emprestar em prazos mais longos). Isso ocorreu em decorrência das incertezas no noticiário fiscal, em especial sobre a continuidade ou não do auxílio emergencial. Enquanto papéis com prazo de dois anos tiveram taxa de 4,83% ao ano, outros de dez anos saíram a 8,08% ao ano. O menor custo médio ajuda o governo a administrar a crescente dívida pública, impulsionada pela pandemia do novo coronavírus e pelas decorrentes despesas para mitigar os efeitos na saúde pública e na economia. Diante do cenário, o mercado tem sido cauteloso e embutido taxas mais altas para emprestar do governo em prazos mais longos. Para não encarecer demais o custo da dívida e aproveitar os juros mais baixos no curto prazo, o governo tem preferido emissões de papeis mais curtos. Com isso, o prazo médio de vencimento caiu de 3,77 anos em outubro para 3,66 anos em novembro. Já a participação de títulos que vencem nos próximos 12 meses subiu de 27,59% para 28,11% do total da carteira. O custo médio do estoque da dívida acumulado em 12 meses subiu de 8,72% ao ano para 9,04% ao ano. O Tesouro diz que os dados preliminares de dezembro apontam para a manutenção do otimismo nos mercados internacionais. Isso se refletiu na curva de juros doméstica, que apresentou redução de inclinação nas últimas semanas. O início da vacinação em alguns países contribuiu para o movimento, segundo os técnicos.