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Dívida Pública Federal total sobe 2,17% em maio, para R$ 4,250 trilhões

Edna Simão e Mariana Ribeiro

Número ficou abaixo da meta estabelecida no PAF, de oscilação entre R$ 4,5 trilhões e R$ 4,75 trilhões em 2020 A Dívida Pública Federal (DPF) subiu 2,17% em termos nominais na passagem de abril para maio, somando R$ 4,250 trilhões. O número ficou abaixo da meta estabelecida no Plano Anual de Financiamento (PAF), que determina uma oscilação entre R$ 4,5 trilhões e R$ 4,75 trilhões em 2020.

De acordo com números divulgados nesta quarta-feira pelo Tesouro Nacional, a Dívida Pública Mobiliária Federal Interna (DPMFi) registrou uma alta de 2,26%, para R$ 4,032 trilhões em maio. A Dívida Federal Externa (DPFe) somou R$ 218 bilhões (US$ 40,17 bilhões), o que representa uma alta de 0,41% na comparação com os números de abril.

Tesouro: Maio teve volatilidade inferior a março e abril, mas acima do normal

No mês de passado, as emissões da DPF corresponderam a R$ 86,65 bilhões, enquanto os resgates alcançaram R$ 13,07 bilhões, resultando em emissão líquida de R$ 73,58 bilhões, sendo R$ 73,94 bilhões referentes à emissão líquida da DPMFi e R$ 0,36 bilhão, ao resgate líquido da DPFe.

O percentual vincendo da dívida em 12 meses ficou em 23,25% da DPF, contra 21,54% em abril. O prazo médio da DPF fechou maio em 3,96 anos, ante 4,04 anos em abril.

Considerando a metodologia "Average Term to Maturity", que permite melhor comparação do Brasil com outros países, a vida média da DPF passou de 5,54 anos em abril para 5,41 anos no mês passado.

Investidor estrangeiro

A participação de investidores estrangeiros na DPMFi caiu em termos percentuais de 9,36% em abril para 9,11% em maio. Em valor absoluto, a fatia saiu de R$ 369,26 bilhões para R$ 367,29 bilhões.

Os fundos de investimento têm participação de 25,85% (ante 25,76% em abril). As instituições de previdência fecharam março em 24,88% (contra 25,65% em abril). As instituições financeiras encerraram o mês respondendo por 26,77% da DPMFi (frente a 25,72% um mês antes). O governo responde por 3,97% (ante 4,02% no mês anterior). As seguradoras ficaram com 3,91% em maio (após 3,96% em abril).

Composição

A participação dos papéis pós-fixados na DPF subiu de 38,73% em abril para 38,85% em maio, ficando abaixo das metas do PAF de 2020, que prevê que a fatia desses papéis deveria variar entre 40% e 44%.

Os títulos prefixados representaram 29,41% da DPF (de 28,85% da DPF em abril). Os papéis ligados a índices de preços representaram 26,30% do total (26,87% um mês antes). Aqueles ligados a câmbio ficaram em 5,44% (5,54% no mês anterior).

O PAF de 2020 estabeleceu que os papéis prefixados devem registrar uma participação entre 27% e 31% do total. Os atrelados a índices de preços ficarão entre 23% e 27% da DPF e os papéis ligados ao câmbio ficarão entre 3% e 7%.

Custo médio

O custo médio acumulado nos últimos 12 meses do estoque da DPF fechou maio em 8,98%, uma queda em relação ao índice de 9,36% ao ano registrado em abril. O custo médio da DPMFi fechou o mês em 7,62%, depois de marcar 8,03% ao ano no mês anterior.

No caso das emissões, o custo médio em ofertas públicas da DPMFi acumulado em 12 meses foi de 5,62% em maio ante 6,10% no mês anterior.

Neste caso, as Letras do Tesouro Nacional (LTN) tiveram custo médio de 6,04 % em maio (6,55% um mês antes), enquanto o custo para colocação de Notas do Tesouro Nacional Série F (NTN-F) fechou o mês em 7,08% (7,46% no mês anterior). As NTN-B tiveram custo de 5,28% ao ano (6,26% um mês antes). As LFTs saíram a 4,89% em maio (5,21% em abril).

Incerteza e volatilidade nos mercados

Em um cenário de incerteza em relação à duração da pandemia, os mercados operaram voláteis em maio, com a expectativa de flexibilização das medidas restritivas em diversos países, recuperação dos preços do petróleo e retorno das tensões entre Estados Unidos e China, avalia o Tesouro Nacional em documento que acompanha o relatório da dívida referente a maio.

Na segunda quinzena do mês, diz a nota, os mercados responderam positivamente às notícias de pesquisas relacionadas à vacina contra a covid-19 e, apesar da volatilidade, as bolsas encerraram em alta. Por outro lado, permaneceu a preocupação frente aos indicadores econômicos.

Diante desse cenário, o Tesouro ajustou sua estratégia ao longo do mês, concentrando as emissões em títulos prefixados, em especial nas LTN, e nos títulos de taxa flutuante (LFT). “Tal ajuste se deve ao fato de os investidores em maio ainda demonstrarem comportamento de aversão a risco e preferência por liquidez, embora em menor proporção quando comparado aos meses de março e abril”, diz o texto.

Apesar do ambiente de elevada incerteza, o Tesouro observa que em maio houve recuperação dos volumes emitidos em relação aos meses anteriores, com destaque para as vendas de títulos prefixados (47,3% do total) e de flutuantes (42,2% do total). No mês, houve emissão líquida de R$ 73,6 bilhões.

Efeitos da pandemia

Em junho, os mercados seguiram pautados pela preocupação com os efeitos da pandemia, com destaque para as expectativas de retomada do comércio e possível segunda onda de contaminação na Europa, avalia o Tesouro no documento.

“Não obstante, os mercados apresentaram melhorias diante das declarações de apoio à economia de diversos bancos centrais ao redor do mundo”, diz o texto. No mercado doméstico, a curva de juros teve queda nos vencimentos curtos, ancorados pela política monetária, enquanto a parte longa permaneceu relativamente estável.

Apesar ada volatilidade, o Tesouro encontrou janela de relativa estabilidade para realizar uma nova operação no mercado externo. “A segunda emissão Dual Tranche da República, realizada em 3 de junho de 2020, gerou um significativo interesse dos investidores pelo crédito brasileiro, o que permitiu uma negociação das taxas de retorno dos novos benchmarks de 5 anos (3,000%) e de 10 anos (4,000%) a níveis próximos aos verificados no início do ano”, diz o texto.

A secretaria destaca ainda que segue realizando o gerenciamento da dívida com o objetivo de conciliar a necessidade de financiamento do governo federal com as condições de mercado existentes.

Marcos Santos/USP Imagens