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Dívida pública cresce em setembro após seis meses em queda

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***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 21.02.2019 - Still de mão segurando cédulas de real, moeda oficial brasileira. (Foto: Gabriel Cabral/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 21.02.2019 - Still de mão segurando cédulas de real, moeda oficial brasileira. (Foto: Gabriel Cabral/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Após seis meses em queda, a dívida bruta do governo cresceu 0,3 ponto percentual em setembro e foi a 83% do PIB (Produto Interno Bruto). Os dados foram divulgados pelo Banco Central nesta sexta-feira (29).

Segundo o BC, o resultado se deu principalmente por causa da incorporação de juros ao montante, que puxou a dívida em 0,5 ponto percentual para cima, e da alta do dólar de 5,76% no mês, 0,3 ponto.​

Além disso, o governo aumentou a emissão de títulos para financiamento da dívida, o que contribuiu com 0,2 ponto percentual para a alta.

"O aumento da dívida bruta foi ocasionada principalmente pela desvalorização cambial, já que outros fatores foram contrabalanceados pelo crescimento do PIB no período", explica o chefe do departamento de estatísticas do BC, Fernando Rocha.

Na comparação anual, contudo, houve redução de 6,2 pontos percentuais na dívida bruta em relação ao PIB.

Ao todo, a dívida bruta somou R$ 6,9 trilhões em setembro. Se for considerado o valor em reais, a dívida manteve trajetória de crescimento nos últimos meses. Em agosto, o montante somava R$ 6,84 trilhões e R$ 6,79 trilhões em julho.

A comparação é feita em relação ao PIB para mostrar se a dívida do governo é sustentável.

O endividamento registrou crescimentos expressivos por mês desde o início da pandemia de Covid-19. Depois da chegada do vírus ao país, o governo teve de gastar mais em programas emergenciais, como o auxílio emergencial e linhas de crédito para empresas.

Em fevereiro deste ano, a dívida alcançou 89,36% do PIB, maior percentual da série histórica iniciada em 2006. No mesmo mês de 2020, último antes dos impactos da crise sanitária, a dívida estava em 75,16%.

A partir de março, o endividamento –em relação ao PIB– começou a cair.

Segundo expectativas do mercado coletadas pelo BC, os economistas consultados projetam que a dívida encerre o ano em 81,8% do PIB e volte a crescer nos anos seguintes, chegando a 85,5% em 2027.

Em movimento oposto, a dívida líquida, que desconta os ativos do governo, registrou queda de 0,8 ponto percentual em setembro e chegou a 58,5% do PIB. De acordo com o BC, a alta do dólar no mês puxou 0,9 ponto para baixo.

Rocha explica que na dívida líquida a desvalorização cambial tem efeito contrário ao observado na dívida bruta. "O setor público é credor em moeda estrangeira, então a desvalorização cambial reduz a dívida líquida", ressaltou.

Quando o dólar sobe, há redução no valor da dívida líquida em reais porque são descontadas as reservas internacionais, mensuradas em moeda americana.

O crescimento da atividade econômica reduziu o montante em 0,6 ponto e o resultado positivo das contas públicas no mês contribuiu em 0,2 ponto.

Pela metodologia do BC, o governo teve superavit de R$ 12,9 bilhões em setembro. Nos últimos doze meses, no entanto, o setor público acumula resultado negativo de R$ 52,9 bilhões (0,63% do PIB). ​

Para o mês, é o maior resultado desde 2010. "O principal fator que explica a melhora do resultado primário é o crescimento da receita líquida real e a redução de despesas, impactada pela base de comparação [setembro de 2020], e pelos efeitos das medidas contra a pandemia", disse Rocha.

O resultado primário indica a capacidade do governo de pagar as contas, excluindo os encargos da dívida pública. Se as receitas são maiores que as despesas, há superavit. Caso contrário, há deficit.​

O resultado nominal, que inclui o custo da dívida, foi deficitário em R$ 42 bilhões no mês e em R$ 404,6 bilhões em 12 meses.

Em setembro, o governo desembolsou R$ 55 bilhões com juros da dívida pública. No mesmo mês do ano passado, foram R$ 38,9 bilhões. O aumento se deu em razão da alta da taxa básica (Selic) e da inflação no período, além de perdas de R$ 12,9 bilhões com operações cambiais.

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